Setor calçadista pode fechar 30 mil vagas de trabalho. Veja o que diz a Abicalçados

  • Robson Leite
  • Publicado em 6 de agosto de 2023 às 13:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

A cada R$ 1 bilhão que a indústria calçadista deixa de produzir deixa também de gerar 16,5 mil postos de trabalho diretos e indiretos

A indústria calçadista nacional projeta um risco imediato para mais de 30 mil postos de trabalho a partir da adoção da portaria governamental (Portaria MF nº 612/2023) que isenta de pagamento de impostos remessas enviadas para pessoas físicas no valor de até US$ 50.

É o que revela um levantamento da área de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e, segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o cenário já vem sendo tratado junto ao Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

“Alertamos o Governo sobre os impactos dessa medida, que isenta grandes empresas internacionais de pagar impostos para entrada de produtos no Brasil, justamente em uma faixa de até US$ 50, que afeta diretamente o calçado produzido no País”, destaca.

Segundo Ferreira, a continuidade da política coloca milhares de empresas em risco e não está em linha com as discussões de neo-industrialização propostas pelo Governo Federal.

Palavra do executivo

“Como iremos industrializar o país com a concorrência desleal? A indústria nacional seguirá pagando impostos como PIS, Cofins e IPI, enquanto o calçado estrangeiro entrará sem qualquer tributação. É uma medida que vai provocar a falência de empresas e precisa ser revogada”, alerta o executivo.

Ele ressalta que a entidade não é contra as importações, mas que elas devem ter tratamento tributário isonômico em relação à indústria brasileira.

Estudo

O estudo realizado pela Abicalçados levou em consideração os impactos provocados somente pelas duas maiores plataformas de e-commerce internacionais atuantes no País. Ambas faturaram, somente em vendas de calçados no Brasil, cerca de R$ 2 bilhões em 2022. O montante corresponde a quase 20% do valor total do varejo on-line de calçados no Brasil.

Segundo o Valor Econômico, o levantamento, que a cada R$ 1 bilhão que a indústria calçadista nacional deixa de produzir – pela comercialização sem a devida isonomia tributária a qual as plataformas de comércio eletrônico deveriam estar submetidas –, o setor deixa de gerar 16,5 mil postos de trabalho de forma direta e indireta.


+ Economia