Por meio de projeto voluntário, moradores com boas condições de saúde, mas que ainda precisam de oxigenoterapia, são liberados para tratamento junto da família
Paciente Ercília Silva recebeu alta e vai seguir com oxigenoterapia em casa
Um grupo de voluntários desenvolve uma ação para aliviar a ocupação dos leitos de terapia intensiva e enfermaria em hospitais de Batatais.
A iniciativa oferece suporte de oxigênio para pacientes que tiveram Covid-19 e que apresentam condições de seguir com o tratamento em casa.
A aposentada Ercília Garcia da Silva, de 88 anos, é a primeira paciente atendida pelo projeto na cidade.
Ela deixou a Santa Casa da cidade na última quinta-feira (1º) após 14 dias de internação.
“Estou aliviada, sem nenhuma dor e muito feliz”, afirma a aposentada.
Dona Ercília foi diagnosticada com a doença após apresentar falta de ar e queda na oxigenação.
Com a melhora do quadro clínico, recebeu alta com direito à comemoração da equipe médica.
Agora, ela vai continuar a oxigenoterapia, que faz parte da recuperação, em casa.
Apoio solidário
Quando o quadro de saúde do paciente internado melhora, ele ainda precisa receber oxigênio por alguns dias.
O projeto Atendimento Tático Domiciliar (ATD), em parceria com a Santa Casa e a Secretaria da Saúde, dispõe do fornecimento gratuito do insumo para que a pessoa continue o tratamento em casa, junto com a família.
O quarto de dona Ercília recebeu novos equipamentos. O que antes fazia parte do ambiente hospitalar é essencial para mantê-la firme e forte.
Além do cilindro com oxigênio, o projeto também oferece o acompanhamento diário aos pacientes com enfermeiros e fisioterapeutas voluntários. A manutenção da iniciativa é feita através de doações.
“Esse projeto nasceu na condição de poder dar uma alta qualificada para o paciente e ele poder disponibilizar esse leito para outros pacientes mais graves”, explica Luciano Patrocínio dos Reis, um dos idealizadores do projeto.
Capacidade hospitalar
De acordo com a Prefeitura de Batatais, a taxa de ocupação nos leitos é de 86%. Desde o início da pandemia, 3.119 casos da doença foram confirmados e 67 pessoas morreram na cidade.
Segundo a secretária da Saúde Bruna Toneli, a alta constante na taxa de ocupação tem impactado as estruturas hospitalares.
Na ala específica para Covid na rede pública, existem sete leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e seis de enfermaria.
“Desde o dia 28 de fevereiro, nós temos mantido nossa ocupação da área Covid em 100%, não só UTI, mas também enfermaria. Isso tem refletido diretamente no nosso sistema de saúde, em todos os equipamentos e serviços.”
Alívio
Por causa da lotação nos hospitais do estado de São Paulo, os municípios estão na fase emergencial desde 15 de março.
Com a alta qualificada, o projeto pode dar oportunidade a outras pessoas que precisam de tratamento dentro dos hospitais.
“Essa alta não é precoce, é uma alta extremamente qualificada. No momento correto, o paciente consegue ir para domicílio e dar continuidade do oxigênio, junto à família e ainda oportunizar seu leito para outra pessoa que esteja necessitando”, diz Bruna.
A recuperação em casa é um alívio para quem passou tanto tempo internado e é uma recompensa para quem é solidário.
“Eu não tenho palavras e toda que vez eu falo se é gratificante, eu me emociono. Se em cada cidade tivesse um processo desse, ajudaria muito o sistema de saúde do município”, diz Luciano.
Quem quiser ajudar com doações pode entrar em contato pelo telefone (16) 98215-3620.