Morre em Franca o empresário calçadista Miguel Sábio de Mello Neto

  • Entre linhas
  • Publicado em 15 de julho de 2016 às 10:36
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:51
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Integrante de uma das famílias mais tradicionais da cidade, ele se dedicava ao comando da fábrica Samello

Miguel Sábio de Mello Neto era muito respeitado e querido em Franca (Foto: Jornal da Franca/Ricardo Fernandes)

Franca amanheceu mais triste nesta sexta-feira, 15. É que o conhecido, respeitado e muito querido empresário do setor calçadista, Miguel Sábio de Mello Neto, de 55 anos, faleceu de forma trágica por volta das 8h30 de hoje.

Filho de Oswaldo Sábio de Melo e Zafiri Bittar de Mello, Miguel passou a acompanhar o pai e os tios em viagens e visitas de negócios desde menino, tarefa que o ajudou a formar sua personalidade, colocando-o no comando direto do grupo Samello. E foi o ingresso ainda criança no mundo dos negócios da família que reforçou uma certeza: a de seguir esse caminho para o resto de sua vida.

O peso da tradição nunca significou para Miguel Sábio de Melo Neto, acomodação. Neto do maior empresário da história de Franca, Miguelito ou Mike, como era conhecido na família e pelos amigos, tinha o desafio de comandar a Samello, marca que já fez história na cidade e vivia uma importante reestruturação. Ele dizia ter muito orgulho de ter o nome de seu avô, fundador da Samello, em 1926, e de ter se tornado o líder da recuperação da empresa de 2005 para cá.

Formado em Economia e Administração de Empresas pela PUC Campinas,  com especializações, cursos e seminários no Japão, Estados Unidos, Rio de Janeiro e São Paulo, ele manteve o interesse pelos assuntos da Samello. Depois de se formar em economia, começou, em 1981, aos 20 anos, a atuar na Samello ao mesmo tempo em que cursava administração. Seu pai e seu tio Wilson lhe proporcionaram um estágio de aprendizado que envolveu desde o almoxarifado de vaquetas até a expedição, passando por todo o processo produtivo, do corte até a embalagem. Quando a empresa passou, em 2005, pela pior crise de sua história, ele foi conduzido à liderança. Miguel comandou o processo de recuperação judicial que culminou com a volta da Samello ao mercado e desde então trabalhava com afinco e dedicação na recuperação da Samello, que envolvia o pagamento de credores e a volta gradativa à produção e comercialização de calcados.

Valorizando a honestidade e a integridade, Miguel acreditava na máxima do mundo dos negócios que diz: “Nunca se desespere por causa de um dia ruim – e nunca tome decisões embalado por um dia muito bom”. Foi baseado nessa filosofia que ele e a empresa conseguiram suportar o período mais crítico de sua história, entre 2006 e 2009. Ele costumava dizer ter muito ainda pela frente, mas acreditava que grande parte foi solucionada com o pagamento de todos os credores trabalhistas e quitação de compromissos assumidos.

ORGULHO DA TRAJETÓRIA FAMILIAR

O empresário se dedicava à reestruturação da Samello, fábrica fundada há mais de 88 anos  (Foto: Jornal da Franca/Ricardo Fernandes)

E Miguel se orgulhava de fazer parte da história da Samello, que sempre teve a característica inovadora, de pioneirismo em diversas áreas como a introdução da mão de obra feminina na fabricação de calçados, a implementação do computador no planejamento e produção, além da realização das primeiras ações de marketing em revistas, jornais e TV, tendo sido ainda a primeira empresa a exportar calçados masculinos.

A Samello lançou também os docksides, drivers e wallabees e os ‘famosos’ mocassins. Por tudo isso, a Samello recebeu vários prêmios de qualidade, atendimento ao cliente, méritos de fabricação e comercialização, tanto nacional quanto internacional, além de premiações por relacionamento e valorização de seus funcionários e colaboradores. Mas, para Miguel, a maior conquista da empresa sempre foi a da responsabilidade social e cumprimento das obrigações com caráter e honra.

REESTRUTURAÇÃO DA MARCA

E foi na Samello que ele depositou sua energia com o trabalho de reorganização, valorização do nome/marca e expansão de negócios e comercialização. Miguel se orgulhava da reestruturação vitoriosa da Samello e do grupo, baseada no esforço profissional de uma equipe reduzida, porém coesa e bastante dedicada. Do ponto de vista mercadológico, eles estavam ampliando o mercado, aumentando as lojas franqueadas e recuperando clientes e mercados internacionais.

Miguel com sua esposa Ana Paula e seu filho caçula Miguelzinho  (Foto: Jornal da Franca/Ricardo Fernandes)

Reconhecidamente apaixonado pelo que fazia, Miguel tinha outras paixões além da Samello: seus filhos Gabriela, 35 anos, administradora de empresas; Ana Paula, 34 anos, economista, Isabela Melo, 28 anos, publicitária, e o temporão da turma, o pequeno Miguel, com cinco anos; sua esposa, Ana Paula Fava Ferreira Melo, além de sua mãe Zarifi Bittar de Melo e seus irmãos. Para completar, ele que era um esportista nato, dividia seu tempo com a pesca, o futebol e o polo a cavalo. E fazia questão de dizer que se sentia uma pessoa realizada e feliz. “O importante é ter alguém que te ama e que você possa amar: minha esposa, meus filhos, minha mãe, irmãos e sobrinhos”, dizia. Fã de literatura, Miguel Sábio de Mello Neto também gostava de ler O Evangelho Segundo o Espiritismo e a Bíblia Sagrada, textos de onde tirava inspiração para perseverar no dia a dia. “Deus é fundamental e gosto de estar em contato próximo com ele”, dizia o empresário que deixa uma grande lacuna na história de Franca.​

 O velório do empresário está acontecendo na sala 6 do Velório São Vicente e o enterro ocorrerá às 16h30 desta sexta-feira, 15, no Cemitério da Saudade de Franca.


+ Cotidiano