Estudantes criam capacete com material descartado por fábricas em Franca

Capacete foi pensado para segurança de quem vai ao trabalho de bicicleta, mas não usa proteção

Postado em: em Cotidiano

Alunos do ensino médio de uma escola estadual de Franca desenvolveram um capacete para ciclistas com materiais descartados pelas fábricas de calçados da cidade.

Os estudantes foram desafiados nas aulas de biologia a propor uma solução para algum problema enfrentado pelos moradores. Eles pensaram nos funcionários da indústria calçadista que vão trabalhar de bicicleta, mas não usam equipamentos de proteção e correm risco no trânsito.

Agora, o protótipo deverá passar por testes para constatar a resistência aos impactos.

Coleta de dados

O estudante Guilherme Teixeira diz que, antes de começar a desenvolver o capacete, visitou junto com os colegas as fábricas de sapatos para aplicar um questionário entre os funcionários. O resultado preocupou o grupo.

O sapateiro Luís Carlos Silva, que faz o percurso de ida e volta ao trabalho de bicicleta, admite que não usa equipamentos de proteção, mesmo já tendo sofrido acidente no trânsito. “Não vejo ninguém usar. Andam como eu: sem capacete, sem tornozeleira, joelheira, nada disso”, relata.

O xará dele, o sapateiro Luís Carlos Santos, que também se locomove de bicicleta, conta que já perdeu um amigo em um acidente. O homem caiu e foi atropelado por um carro. Por isso, ele está interessado no capacete feito com materiais reutilizados. “A gente tem que experimentar para ver se gosta, mas eu usaria, sim”, diz.

Materiais reutilizados

O capacete desenvolvido pelos alunos do segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Ângelo Scarabucci, na Vila Scarabucci, ficou entre os três finalistas do prêmio "Respostas para o Amanhã", promovido pela Samsung.


Junto com os amigos, a estudante Karoline Dias, que participou da criação, diz que analisou os capacetes vendidos nas lojas para encontrar materiais descartados pelas fábricas de sapatos que poderiam ser usados no lugar da fibra de carbono, do isopor, da espuma e das tiras de tecido.

Ela explica que a carcaça do capacete foi feita com baldes de polipropileno. Já o acabamento interno, que absorve impacto e protege o ciclista, foi feito em formato de colmeia a partir da mistura de uma substância chamada plastissol, usada para pintar os sapatos, com o pó de couro que sobra do curtume.

Os estudantes usaram o material que vai no forro dos sapatos para fazer tiras que dão conforto e absorvem o suor da cabeça. Por último, eles fizeram as alças de fixação do capacete com couro de boi e de cabra, que também são usados na produção dos sapatos.

Ecologicamente correto

Os estudantes dizem que, além de aumentar a segurança dos trabalhadores no trânsito, o capacete pode ajudar a preservar o meio-ambiente, se for feito em série para comercialização. Isso porque os materiais que são descartados pelas fábricas em aterros sanitários podem ser reutilizados na confecção do equipamento.

“É muito importante a nossa participação a favor do meio-ambiente, porque a gente é a geração do futuro. A gente é que tem que zelar pelo planeta e cuidar dessas iniciativas, projetos que são a favor do meio-ambiente”, diz a estudante Naiara Alves da Silva.



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