Montagem aborda racismo, capacitismo e invisibilização de mulheres negras em apresentações em setembro, na área externa da unidade.
As apresentações vão acontecer dentro de um ônibus, com capacidade limitada (Foto: Leonardo Souzza)
O Sesc Franca apresenta, nos dias 3, 4 e 5 de setembro, o espetáculo (Ré)tomada da Palavra ou A Mulher que Não se Vê, da Zózima Trupe.
As apresentações acontecem dentro de um ônibus posicionado na área externa do estacionamento da unidade, propondo ao público uma experiência cênica que articula teatro, espaço urbano e reflexão sobre racismo, capacitismo e desigualdades estruturais. Os ingressos variam entre R$ 15 e R$ 50.
A montagem acompanha Rosa, trabalhadora da limpeza e observadora atenta das injustiças cotidianas.
Durante um trajeto de ônibus, ela questiona a ausência de reação diante de uma mulher negra em cadeira de rodas ignorada em um ponto de parada.
A tentativa de ajudá-la desencadeia uma narrativa que desloca a cena entre realidade e metáfora, abordando os mecanismos sociais que tornam determinados corpos invisíveis no espaço público.
Referências
Inspirado em referências como a ativista norte-americana Rosa Parks e na trajetória de Flávia Diniz, o espetáculo propõe reflexões acerca da sobreposição de desigualdades vividas por mulheres negras com deficiência.
A dramaturgia, assinada por Shaira Mana Josy e Piê Souza, constrói um percurso que relaciona presença, silenciamento e direito à palavra, transformando o ônibus em espaço de escuta e questionamento.
Com atuação de Ma Devi Murti e direção de Anderson Maurício, a encenação utiliza a proximidade entre público e cena para ampliar a amplitude da narrativa. O transporte coletivo, geralmente associado ao deslocamento cotidiano, torna-se lugar de encontro e observação das relações sociais que permeiam a vida urbana.
Espaço cênico
Fundada em 2007, a Zózima Trupe desenvolve uma pesquisa continuada sobre o ônibus como espaço cênico, ampliando o acesso ao teatro e deslocando as apresentações para diferentes territórios.
A partir dessa investigação, o grupo construiu uma trajetória reconhecida por aproximar a linguagem teatral do cotidiano de trabalhadores e usuários do transporte coletivo.
Ao longo de quase duas décadas de atuação, a companhia realizou apresentações em diferentes estados brasileiros e em países como Chile, Argentina e Portugal.
Sua pesquisa artística foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Inovação, consolidando o trabalho da trupe na criação de experiências cênicas que aproximam arte, cidade e participação pública.