Parece queijo, tem gosto de queijo, é vendido como queijo, mas não é queijo

  • Robson Leite
  • Publicado em 8 de outubro de 2023 às 18:00
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São as chamadas “soluções lácteas”, subprodutos que imitam queijos e lácteos, com uma proporção menor de leite em sua composição

Parece queijo, tem sabor que lembra queijo, é vendido como queijo, mas não é queijo. Está no burguer, na pizza, no recheio do salgado. Pode estar também no sorvete, no milk shake, no chantilly que recheia o bolo ou que acompanha um cafezinho.

São as chamadas “soluções lácteas”, subprodutos que imitam queijos e lácteos, com uma proporção menor de leite em sua composição. Na verdade, apesar do nome, há casos em que não há leite algum.

Tendência em alta na indústria de alimentos e bebidas, os alternativos lácteos surfam em um vazio regulatório e na crise que vem afetando a produção de leite no Brasil. Em 20 anos, 600 mil produtores deixaram a atividade, pressionados por custos cada vez mais altos, e a disponibilidade de leite diminuiu.

Em meio a esse cenário, cresce a oferta de produtos de menor qualidade nutricional e preço baixo, seja para outros fabricantes de alimentos ou para o consumidor final. Isso ocorre devido a brechas na legislação de alimentos que têm permitido até mesmo o uso de aditivos não autorizados pela Anvisa.

Misturas lácteas

É o caso, por exemplo, das misturas lácteas, que ganharam visibilidade no ano passado com as prateleiras dos supermercados cheias de novos produtos à base de soro de leite vendidos em embalagens muito parecidas com as dos produtos originais.

Não é de hoje que se vem registrando o lançamento de ultraprocessados lácteos de qualidade inferior no mercado brasileiro. Há dois anos, foi contada a história do soro de leite, que passou de descarte industrial à principal matéria-prima para novos produtos com preços mais convidativos.

A indústria de ultraprocessados é eficiente em inovar e se adaptar rapidamente a mudanças de hábitos e ao cenário econômico. São inovações que miram redução de custos.

Oportunidade na crise

Crise também pode ser sinônimo de oportunidade, dependendo do espaço que se ocupa na cadeia alimentar.

“Observamos os preços de mussarela dispararem no mercado. Nessa perspectiva, para a Alibra, por possuirmos no portfólio produtos alternativos, esse cenário foi excelente”, comemorou Paulo Micheleto Junior.

Ele é gerente comercial de Food Service da Alibra, uma empresa brasileira especializada em ingredientes lácteos e não lácteos, misturas e substitutos de queijo para o mercado de alimentos e bebidas.

Segundo o portal GGN, em entrevista a um portal especializado, em dezembro de 2020, ele mencionava um dos vários picos no preço da mussarela no período da pandemia. A Alibra fornece para a indústria e o setor de food service: redes de fast-food, restaurantes, lanchonetes e etc. .


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