O que não dizer para uma gestante ansiosa e como oferecer apoio de verdade

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 11 de outubro de 2025 às 19:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Frases como “relaxa, é normal” ou “é só hormônio” invalidam o sofrimento da mulher e podem agravar ainda mais os sintomas

Ansiedade durante a gestação é mais comum do que se imagina. Mudanças hormonais, medo do parto e preocupações com o bebê podem deixar a mulher mais vulnerável.

O problema é que, muitas vezes, as respostas que ela recebe de familiares, amigos ou até profissionais de saúde não ajudam, e podem piorar a situação.

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, professora doutora e fundadora do Instituto MaterOnline, lembra que a Psicologia Perinatal ocupa apenas 2% da grade de formação em Psicologia no Brasil.

Isso significa que muitos profissionais saem da faculdade sem preparo para lidar com as especificidades emocionais da gestação, o que contribui para a repetição de frases prontas.

“Quando a mulher ouve comentários que invalidam sua experiência, como ‘relaxa, é normal’, se sente sozinha e ainda mais ansiosa”, explica.

O que não dizer para uma gestante ansiosa

Entre as frases mais prejudiciais, que devem ser evitadas, estão:

“Relaxa, é normal”
“Pensa positivo”
“Outras mães passam por isso”
“Vai passar depois do parto”
“É só hormônio”

De acordo com Rafaela, esses comentários transmitem a ideia de que a gestante não deveria sentir o que está sentindo, quando na verdade suas reações são legítimas.

O que realmente ajuda

Para apoiar uma gestante ansiosa, o mais importante é validar suas emoções e oferecer presença sem julgamentos. Algumas formas de acolhimento são:

Validação: dizer que entende o que ela sente e que isso é legítimo.

Parceria: mostrar que ela não está sozinha na jornada.

Psicoeducação: explicar o que acontece no corpo e na mente durante a gestação.

Ferramentas específicas: técnicas adaptadas para ansiedade gestacional, diferentes da terapia genérica.

Ressignificação: lembrar que cuidar da própria saúde mental também é cuidar do bebê.

A especialista ainda aponta que o apoio adequado pode transformar a experiência da gestação. “Quando a mulher se sente compreendida, ela se fortalece para lidar com as emoções”, diz.

Segundo Rafaela, “isso impacta diretamente no bem-estar dela, no desenvolvimento do bebê e na qualidade dos vínculos familiares. Uma mãe mentalmente saudável gera um bebê mais saudável, uma família mais forte e uma sociedade melhor”.


+ Bem-estar