MAIS SOBRE A MÚSICA

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 2 de maio de 2017 às 08:56
  • Modificado em 29 de outubro de 2020 às 23:57
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UM RAPAZ LATINO-AMERICANO


No último fim de semana, mais exatamente sábado à noite, em minha apresentação numa casa da cidade, ao terminar de cantar “Como Nossos Pais”, meu parceiro de música, o baterista e percussionista Serginho de Souza comentou ali mesmo, em cima do palco “-Puxa, o Belchior anda sumido, né Beny ? A gente ficou sabendo dele naquela reportagem da Globo, falando que andava lá pelas bandas do Uruguai…”

Pois é, não comentei nada no momento, só lamentei, como ele…Mal sabíamos que estávamos a algumas horas da notícia de seu desaparecimento do planeta…

Fiz até questão de suspender a matéria desta semana, que já estava na “ponta da agulha” para, atrasado, digitar estas poucas linhas sobre esse rapaz latino-americano, responsável pela criação de inúmeros sucessos de peso da nossa música.

No final dos anos 80, atuei como jurado no programa “Festival Espaço Amador”, do meu amigo Savério Zaccanini, na TV Record de São Paulo e, entre os diversos convidados da temporada, um foi Belchior, com quem tive o prazer de levar longos papos. A impressão que me deixou foi a de um cara fino trato, mais atencioso que a maioria dos grandes nomes, que sempre nos tratam a nós da imprensa com uma certa distância, quando não com alguma arrogância. Ele foi totalmente diferente.

Mas isso não faz diferença agora. Queria só comentar sobre sua capacidade criativa, seu jeito de escrever e interpretar que lhe proporcionaram púbico cativo em diversas faixas etárias e citar algumas de suas criações.

Nascido em Sobral, CE, em 26 de outubro de 1946, filho de pai saxofonista e flautista e mãe cantora de igreja, estudou Filosofia em Fortaleza. Foi cantador de feira e poeta repentista, programador de rádio, estudou música coral e piano. Começou a estudar Medicina mas, em 1971, abandonou tudo e juntou-se ao grupo denominado “Pessoal do Ceará”, que tinha também Fagner e Ednardo, prá tentar a sorte nas artes e acabaram por se fixar no eixo Rio-SãoPaulo, onde passaram a plantar verdadeiras obras de arte que frutificaram e criaram raízes Brasil afora.

Começou a ser notado em 1971, ao vencer o IV Festival Universitário da MPB, no Rio, com a música “Na Hora do Almoço”, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, depois do que ele mesmo gravou a canção alcançando relativo sucesso e chamando a atenção da crítica e produtores.

Depois de algum tempo compondo trilhas para alguns filmes de curta metragem e atuando sozinho e às vezes com o Pessoal do Ceará, apresentando-se em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e TV, em 1972 conhece Elis Regina, que grava sua primeira de uma série de grandes composições, esta, em parceira com Fagner, “Mucuripe”. Esta poesia musicada seria gravada também por Roberto Carlos.

“A Palo Seco” foi seu primeiro disco, em 1974  mas o sucesso veio pra valer em 1976, com o LP “Alucinação”, que continha “Apenas Um Rapaz Latino-Americano”. (Como foi tocada no rádio e cantada na noite e nos bailes, essa música !)

Vem, então, a fase áurea como compositor. Elis grava “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”. Erasmo Carlos e  Vanusa  registram “Paralelas”. Jair Rodrigues, “Galos, Noites e Quintais”. Antônio Marcos gravou “Todo Sujo de Batom”. O grupo Engenheiros do Hawai  gravou “Alucinação”. Estas são algumas das notáveis gravações de suas criações por outros artistas.

As canções de Belchior que ficaram em nossas mentes, quero crer que de forma indelével, sem dúvida são “Divina Comédia Humana”, “Medo de Avião”, “Fotografia 3X4”, “Tudo Outra Vez”, “Comentário a Respeito de John” e “Pequeno Perfil de Um Cidadão Comum” (dele e Toquinho).

Em 1983 fundou sua própria produtora e gravadora, a Paraíso Discos, tornando-se sócio de um outro selo em 1997.

Sua discografia consiste de 24 álbuns, entre os quais, um gravado em 1996, “Vício Elegante’, só com músicas de outros compositores e outro, de 2002, “Pessoal do Ceará”, feito juntamente com Amelinha e Ednardo.

O que aconteceu de fato ao cantor e compositor nos últimos anos não vem ao caso agora. Queremos apenas e tão somente deixar registrado um pouco do lado positivo da vida poética e musical do cearense Antonio Carlos Gomes BELCHIOR Fontenelle Fernandes, que, em tom de galhofa, costumava afirmar ser o artista de maior nome na música brasileira.

Nossos ídolos ainda são os mesmos… E, infelizmente, estão nos deixando, um a um. Semana anterior foi Jerry Adriani. Nesta semana, Belchior…Aos 70 anos, em 30 de abril.

Você pode até dizer que eu “tô por fora”, mas eu não tô inventando. Esses e outros caras, de uma forma ou de outra, em uma época ou em outra, marcaram profundamente nossas vidas !

www.youtube.com/watch?v=X8Wr1pbSSm4

Fontes :   Diversas, incluindo rádio, TV e internet.

Foto: Liga Entretenimento/Divulgação

3 CURTAS SOBRE A MÚSICA

1. O LP “Harvest”, de Neil Young, lançado em 1972, ajudou a montar o cenário para a explosão do chamado “soft rock”, nos anos 70.

2. O disco “Gil & Jorge- Ogum Xangô” de Gilberto Gil e Jorge Benjor, foi gravado em 1975 depois de um breve ensaio e os dois fazendo-se acompanhar apenas de seus violões e de um percussionista, mostrando sua habilidade e provando que “quem sabe faz ao vivo”.

3.O álbum “With The Beatles”, gravado em apenas seis dias, em 1963, foi o primeiro disco a vender um milhão de cópias na Grã-Bretanha.

Fonte : 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer.    

BENY CHAGAS MUSIC SHOW

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*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.