Joanete: por que surge, quando dói e como tratar para aliviar

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 12:30
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Fatores genéticos, calçados inadequados e alterações da pisada estão entre as principais causas do desalinhamento do dedão

Mais do que uma questão estética, o joanete pode comprometer a mobilidade, causar dor intensa e limitar o uso de calçados (Foto Freepik)

 

O joanete, conhecido na medicina como hálux valgo, é uma das deformidades mais comuns do pé e afeta principalmente mulheres, mas também atinge muitos homens.

Caracteriza-se pelo desvio progressivo do dedão em direção aos outros dedos, formando uma proeminência óssea dolorosa na parte interna do pé.

Mais do que uma questão estética, o joanete pode comprometer a mobilidade, causar dor intensa e limitar o uso de calçados. Entender por que ele surge e como evolui é essencial para evitar agravamentos e buscar tratamentos eficazes.

Por que o joanete aparece

Ao contrário do que muitos imaginam, o joanete não é um “osso que cresce”, mas uma alteração no alinhamento da articulação do dedão.

O principal fator por trás desse desvio é a predisposição genética: algumas pessoas herdam o formato do pé ou uma frouxidão ligamentar que facilitam a deformidade.

Essa tendência natural costuma ser acelerada pelo uso de calçados apertados, de bico fino ou com salto alto, que empurram o dedo para dentro e aumentam a pressão sobre a articulação.

Outros fatores contribuem para o desenvolvimento do joanete, como o pé plano, a hiperpronação (quando o pé ‘cai’ para dentro ao caminhar), algumas formas de artrite e alterações na mecânica da marcha.

Com o tempo, a articulação se desalinha, os tendões mudam de direção e o dedão passa a exercer força de maneira inadequada, o que aumenta a proeminência óssea e favorece a dor.

Quando o joanete começa a doer

O joanete pode permanecer assintomático por anos, mas a dor costuma aparecer quando há atrito constante entre o calçado e a saliência óssea, provocando vermelhidão, calosidade e inflamação local.

Em casos mais avançados, a articulação perde mobilidade, e até caminhadas curtas podem se tornar desconfortáveis.

Outro ponto importante é que o joanete não melhora sozinho. Por ser uma deformidade progressiva, tende a piorar com o tempo, especialmente quando o paciente continua usando calçados inadequados ou não corrige os fatores mecânicos envolvidos.

À medida que o desvio aumenta, os dedos menores também podem se desalinhar, causando dor no antepé e dificuldade para distribuir o peso durante a marcha.

Tratamentos: alívio, controle e, quando necessário, cirurgia

O tratamento inicial é conservador, com foco em aliviar a dor e evitar a progressão da deformidade. Trocar os calçados por modelos mais largos, com bico arredondado e solado macio, reduz o atrito e melhora o conforto imediato.

Palmilhas e suportes ortopédicos ajudam a corrigir a pisada e a distribuir melhor a pressão no pé. Separadores de dedos e órteses noturnas podem diminuir a tensão sobre a articulação, embora não corrijam o desvio existente.

A fisioterapia tem papel importante no fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé, na melhora da mobilidade e na reeducação da marcha.

Para pacientes com dor persistente, infiltrações com medicamentos podem ser indicadas em casos selecionados.

Quando o desconforto se torna limitante, a cirurgia passa a ser uma opção. Os procedimentos atuais são mais precisos e menos invasivos, permitindo corrigir o alinhamento do dedão e reposicionar a articulação.

A indicação cirúrgica leva em conta a dor, o grau de deformidade e o impacto na qualidade de vida do paciente.

O joanete não precisa ser motivo de sofrimento permanente. Com diagnóstico adequado e medidas personalizadas, é possível controlar a dor, desacelerar a progressão e, quando indicado, corrigir a deformidade com excelentes resultados.

O importante é não ignorar os primeiros sinais e buscar orientação especializada antes que a condição se torne mais complexa.

Fonte: CNN


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