Irmãs são presas por encomendarem o assassinato do próprio pai

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  • Publicado em 10 de junho de 2016 às 13:58
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:48
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Em conversas de WhatsApp, uma das jovens disse para o namorado: “tenho que acabar com meu pai”

Valdir de Oliveira Miranda foi morto aos 59 anos quando chegava em casa (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Após meses de investigação, a Polícia Civil de Mogi das Cruzes conseguiu trechos de conversas de WhatsApp de uma jovem de 19 anos, que confessou ter encomendado a morte do próprio pai, em dezembro de 2014, quando tinha 17 anos. O teor das conversas foi divulgado nesta quinta-feira, 09.

Segundo a polícia, a troca de mensagens que faz parte do inquérito, foi com o namorado dela na época. Em uma das conversas, a jovem diz “Tenho que acabar com meu pai”. Na mensagem seguinte, pede ajuda: “Me ajuda pelo amor de Deus”. O namorado pergunta se o pai da jovem já tinha chegado em casa e diz que vai ao encontro dela.

As mensagens foram anexadas ao processo de investigação, conduzido pelo delegado Rubens José Ângelo, do Setor de Homicídios. O procedimento investigatório concluiu que, além da jovem, hoje com 19 anos, a irmã mais velha, SJM, que na época tinha 28 anos, também teve envolvimento no mandado de execução do pai, Valdir de Oliveira Miranda, de 59 anos, que foi assassinado a facadas em Suzano quando guardava o carro na garagem. 

A irmã caçula assumiu nesta quinta-feira, 09, mediante a apresentação das conversas, a autoria do pedido de execução do pai e disse que a irmã mais velha não sabia de nada. A jovem contou ainda que acreditava que ficaria impune pelo crime. “Eu tive a ideia. Minha irmã não sabia de nada. Eu achei que ficaria impune. Estava acreditando nisso até hoje. Foi desesperador ver a polícia na minha casa”.

Já a irmã mais velha, SJM, contou que na noite do crime, estava dormindo quando foi avisada da morte do pai. “Eu tinha chegado de Campinas, onde fui visitar alguns parentes. Cheguei muito tarde de viagem. Quando eu fui informada do que tinha acontecido já estava deitada. Falaram que meu pai tinha sido morto. Eu pensei que tivesse sido um assalto.”

SJM disse ainda que mantinha um bom relacionamento com o pai, mas que ele apresentava comportamento agressivo. “Ele me criou desde que eu tinha um ano. A gente tinha um relacionamento bom, porém ele tinha surtos, ele batia em mim, na minha mãe, ele tinha problemas com outros relacionamentos dele também. Os outros filhos dele diziam isso. Isso era um agravante. Meu pai não se dava bem com ninguém. Ele não falava com os próprios irmãos dele”.

Questionada sobre a premeditação do crime, SJM disse que não planejou, mas que já tinha pensado em matar o pai. “No desespero, lógico, que passa às vezes a gente tentar achar uma saída. Eu jamais mandaria matar. Eu não estava na morte do meu pai”.

Conversas via WhatsApp foram anexadas ao processo contra as irmãs  (Foto: Reprodução/TV Diário)

O delegado do Setor de Homicídios, que presidiu o inquérito, Rubens José Ângelo, relata que por meio de provas, a polícia constatou que as irmãs foram as autoras do plano de execução. O processo de investigação durou aproximadamente dois anos e inclui também conversas extraídas do aplicativo de celular WhatsApp. “As duas irmãs planejaram o crime, tanto a maior quanto a menor, mas principalmente quem engendrou o crime foi a SJM, a irmã mais velha. Inclusive, foi ela que cedeu as chaves do carro dela para que os menores fossem executar o pai. A SJM teve a ideia e instigou os menores à prática do crime. Pelo conjunto de provas, o que se conclui é que as duas irmãs são culpadas”.

Segundo o delegado, como pagamento pelo serviço de execução, as irmãs teriam prometido uma moto aos adolescentes.

Segundo a polícia, SJM vai responder por homicídio e já foi encaminhada para a Cadeia Feminia, em Poá. A irmã caçula, após o término da audiência de custódia, foi apreendida e encaminhada para a Fundação Casa.

Os dois adolescentes identificados como executores de Valdir de Oliveira Miranda, estão aprendidos desde a época do crime. A vítima foi executada com golpes de faca na região do pescoço, no momento que estacionava o carro que dirigia na garagem de casa. 


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