Golpe do leilão cresce na pandemia e mais de dois mil sites falsos são identificados

  • Robson Leite
  • Publicado em 17 de maio de 2022 às 08:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Somente em 2021, foram relatados 1.063 que forjavam leilões, número que é o dobro do que havia sido descoberto em 2020 (510)

O número de golpes cometidos por meio de falsos leilões na internet saltou durante o período da pandemia, de acordo com dados da Aleosp (Associação dos Leiloeiros Oficiais do Estado de São Paulo).

Centenas de páginas virtuais usam nomes de seguradoras de veículos, departamentos de trânsito nacional, estaduais e municipais, de bancos públicos e de leiloeiros oficiais, causando prejuízos significativos aos compradores.

Desde 2019, 2.000 sites falsos foram identificados. Somente em 2021, foram relatados 1.063 que forjavam leilões, número que é o dobro do que havia sido descoberto em 2020 (510). De 2016 a 2019, 420 endereços virtuais foram localizados. A tendência demonstra que esse tipo de crime vem se tornando mais frequente.

Segundo o portal Notícias R.7, o próprio presidente da associação, leiloeiro Sérgio de Freitas, teve seu nome usado indevidamente para um leilão que não existia de fato.

Lance em site falso

“Você derruba um, na manhã seguinte aparecem dois. O número cresceu muito durante a pandemia de Covid-19, mas, mesmo com a volta dos leilões presenciais, os golpistas continuam agindo”, disse.

Como os lances representam grande parte do valor do bem, os prejuízos são altos. “Tem muitos casos em que a pessoa deposita toda sua economia, R$ 40 mil, R$ 50 mil, até mais, em um lance falso”, lamentou.

A associação põe à disposição para consulta, em seu site, relação de leilões falsos e também a lista de leiloeiros oficiais. Segundo Freitas, só o leiloeiro oficial inscrito na Junta Comercial tem autorização legal para realizar leilões e receber valores de arrematações.

O pedreiro Valter Silva Jacinto, de 45 anos, decidiu investir os R$ 30 mil que havia conseguido com a venda de um imóvel em sua terra, em Minas Gerais, em um leilão de veículos usados. Era o golpe do falso leilão.

Fora do Brasil

“Só descobri quando fui retirar os veículos e [vi que] o endereço era de uma empresa de aço. O vigia disse que eu não era o primeiro a cair no conto.”

Como Jacinto, milhares de pessoas vêm caindo nessa fraude. Os golpistas inserem sites falsos na internet com identificação e imagens parecidas com as dos verdadeiros e oferecem imóveis ou veículos a preços abaixo dos praticados pelo mercado.

Ao Estadão, a Receita informou que diversos sites que se fazem passar pelos seus leilões não estão hospedados em um servidor de domínios do Brasil, o que dificulta a sua retirada do ar. “Mas não impede que a Receita Federal busque todos os meios para tal”, disse.


+ Economia