Frio pode matar antes da gripe: risco de AVC e infarto cresce com queda do clima

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 10 de julho de 2025 às 18:00
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Com o avanço da frente fria, o apelo é para que a população não apenas se proteja do frio, mas também se atente aos sinais que o corpo emite.

Uma forte frente fria começa a avançar sobre o território brasileiro, derrubando as temperaturas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O frio mais intenso do ano deve se manter firme ao longo da semana, com mínimas abaixo de 10 °C em diversas regiões. Nesta quinta-feira (10), Franca registrou 11 graus na madrugada.

O ar seco e o tempo aberto favorecem ainda a formação de nevoeiros, o que pode dificultar a mobilidade urbana nas primeiras horas do dia.

Para além do desconforto térmico, o alerta de especialistas está voltado principalmente para os efeitos do frio sobre o sistema cardiovascular.

De acordo com o Dr. Marcelo Augusto Okamura, diretor de Growth Emergency do Grupo Med+, as baixas temperaturas exigem esforço extra do coração, o que aumenta de forma significativa o risco de infartos e AVCs, sobretudo em idosos e pessoas com histórico de hipertensão ou doenças cardíacas.

Sobrecarregando o coração

“O frio provoca uma constrição dos vasos periféricos, o que faz com que o coração precise bombear com mais força para manter o fluxo sanguíneo. Isso eleva a pressão arterial e sobrecarrega o sistema cardiovascular, aumentando o risco de eventos graves como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral”, explica Okamura.

Ele ressalta ainda que o frio afeta a composição do sangue, tornando-o mais viscoso e propenso à formação de coágulos. “É justamente por isso que a hidratação constante é essencial nesse período: ela ajuda a manter o sangue fluido e diminui o risco de trombose”, completa.

Segundo o médico, períodos de frio intenso estão diretamente associados ao aumento da mortalidade cardiovascular. Ele aponta que a mortalidade durante baixas temperaturas pode superar 22%, sendo que infartos e AVCs respondem por mais de um terço dessas mortes.

“O risco é ainda maior quando há histórico de doenças cardíacas mal controladas ou presença de fatores como sedentarismo, obesidade, tabagismo e uso irregular de medicamentos. O Dr. Okamura reforça que manter hábitos saudáveis ao longo do ano é essencial para reduzir a vulnerabilidade durante o inverno. “Uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercícios e o controle de comorbidades são a base para a prevenção”.

Dor no peito

Em relação aos sintomas, sinais como dor no peito, falta de ar, tontura, sudorese excessiva, confusão mental e cansaço extremo não devem ser ignorados.

“Esses sintomas indicam que algo pode estar errado com o coração ou com a circulação cerebral. Nessas situações, é fundamental procurar um pronto-socorro imediatamente para avaliação. O tempo é determinante nesses casos”, afirma.

Com o avanço da frente fria sobre as regiões mais populosas do país, o apelo é para que a população não apenas se proteja do frio, mas também se atente aos sinais que o corpo emite.

“A maioria dos casos de infarto e AVC pode ser evitada com prevenção e resposta rápida. O que precisamos é de consciência e atenção. Cuidar do coração é ainda mais importante quando o termômetro despenca”, finaliza Okamura.


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