O fim das declarações simplificadas de bens e o novo detalhamento obrigatório que está retendo milhares na malha fina.
O IRPF 2026 trouxe uma surpresa que está derrubando até contribuintes organizados: a Receita Federal parou de aceitar declarações simplificadas de bens.
Agora, imóveis, veículos e investimentos exigem um detalhamento que vai muito além do valor, e ignorar esses campos virou o principal motivo de retenção na malha fina este ano.
Qual é a nova exigência que mudou o jogo em 2026?
O valor de mercado não basta mais. A ficha de Bens e Direitos passou a exigir dados que antes ficavam restritos a auditorias: matrícula do imóvel no cartório, inscrição do IPTU e, para veículos, o Renavam.
O campo “Discriminação” agora é obrigatório e deve conter essas informações sob risco de cair na malha fina.
Quem tem imóvel financiado também sentiu a mudança: a Receita quer o nome do banco, o número de parcelas e o valor de entrada, com o uso do FGTS discriminado.
A lógica é que o contribuinte declare o que de fato pagou, e não o valor total do contrato. Para a Receita, a omissão desses dados equivale a erro de preenchimento.
Nova exigência do IR 2026: o que mudou na ficha de Bens e Direitos
O campo Discriminação agora é obrigatório e a ausência dessas informações pode levar à malha fina
Por que tanta gente caiu na malha fina logo no início de 2026?
A resposta está na tentativa de repetir o que funcionou em 2025. Muitos contribuintes simplesmente copiaram os valores da declaração anterior e ignoraram os novos campos.
O problema é que a Receita Federal mudou o motor de cruzamento de dados: o sistema agora confronta automaticamente os registros do Detran e dos cartórios com o que foi informado.
Quando o sistema não encontra o Renavam ou a matrícula do imóvel, a declaração é retida mesmo que os valores estejam corretos.
Dados oficiais mostram que, em maio de 2026, cerca de 200.929 declarações permaneciam em análise, volume que a Receita atribui principalmente à falta de preenchimento desses novos campos obrigatórios, conforme comunicado do órgão oficial.
Quais informações a Receita passou a exigir em cada tipo de bem?
A lista de exigências não é imensa, mas é detalhada. Para cada tipo de bem, a Receita definiu um conjunto mínimo de dados que devem aparecer no campo Discriminação. Deixar de preencher qualquer um deles é o suficiente para que o sistema acione o alerta de inconsistência e a declaração entre na fila de análise.
Os dados obrigatórios que passaram a ser conferidos automaticamente incluem:
Imóveis: número da matrícula no cartório, nome do cartório, inscrição do IPTU e endereço completo.
Veículos: Renavam, marca, modelo, ano de fabricação, placa e CPF ou CNPJ do vendedor.
Investimentos: CNPJ da instituição financeira, saldo em 31 de dezembro de 2025 e rendimentos recebidos no ano.
Qual o erro mais comum que está enviando contribuintes direto para a malha fina?
Declarar imóveis e veículos pelo valor de mercado é o tropeço mais frequente. A Receita exige o custo de aquisição, que é o valor pago no ato da compra, e ignora tabelas como a Fipe.
Quem atualizou o valor do carro ou do apartamento achando que estava sendo mais preciso acabou acendendo um alerta no sistema.
O segundo erro mais comum atinge imóveis financiados. O contribuinte deve lançar na ficha de Bens e Direitos apenas o que efetivamente pagou até 31 de dezembro de 2025, incluindo entrada, parcelas, juros, taxas bancárias e eventual uso do FGTS, conforme orientação do Tax Group, consultoria especializada em tributos.
A ficha de Dívidas e Ônus Reais não deve ser usada para esses bens.
Como corrigir a declaração se você já enviou com dados incompletos?
O caminho é a declaração retificadora, disponível no app Meu Imposto de Renda ou no site da Receita Federal. Ela pode ser enviada até 29 de maio de 2026 sem multa, e o contribuinte precisa apenas informar o número do recibo da declaração original e preencher corretamente os campos que ficaram vazios.
O ideal é reunir todos os documentos antes de iniciar a retificação. A matrícula do imóvel está na escritura, o Renavam está no certificado de registro do veículo e os informes bancários podem ser baixados direto no site da instituição financeira. Com esses dados em mãos, a correção leva menos de quinze minutos e evita que o contribuinte caia na malha fina.
Vale a pena usar a declaração pré-preenchida ou é melhor fazer manualmente?
A declaração pré-preenchida se tornou uma aliada importante justamente por causa das novas exigências. Ela importa automaticamente os dados que a Receita já possui, incluindo Renavam e informações de imóveis e investimentos.
Em 2026, 59,9% das entregas usaram essa funcionalidade, que reduz drasticamente os erros de digitação.
No entanto, a pré-preenchida não é infalível: os campos que não foram informados à Receita pelas fontes pagadoras ou pelos cartórios continuam em branco e devem ser completados pelo contribuinte.
De acordo com uma publicação do portal O Antagonista, a recomendação é iniciar com a pré-preenchida e revisar item por item, conferindo cada campo de discriminação antes de transmitir a declaração final.