Consumo de medicamentos e vitaminas aumenta em até 198% durante a pandemia

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  • Publicado em 2 de maio de 2020 às 20:25
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:40
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Entre eles estão o paracetamol, dipirona sódica, hidroxicloroquina e vitaminas C e D, segundo o CRF-SP

Na próxima terça-feira, 5 de maio, comemora-se o Dia
Nacional do Uso Racional de Medicamentos. 

Um levantamento realizado pela
consultoria IQVIA, apontou o aumento significativo nas vendas de alguns
medicamentos e vitaminas relacionados à covid-19 nos três primeiros meses desse
ano em relação ao mesmo período do ano passado.

São eles o ácido ascórbico (vitamina C),
associado por fake news à prevenção da doença, que teve um
crescimento de 198,23%; o paracetamol, com 83,56% a mais em sua comercialização
e a dipirona sódica, com aumento de 51%. 

O ibuprofeno, que por um breve período
foi relacionado ao agravamento de casos da doença, teve uma queda nas vendas de
2,95%. 

Outros, também atribuídos à capacidade de curar a covid-19, como a
hidroxicloroquina e colecalciferol (vitamina D) tiveram crescimento de vendas
de 53,03% e 23,74% respectivamente (dados relativos ao Estado de São Paulo).

E nesse cenário de pandemia, crise histórica
da saúde e aumento exponencial de automedicação, os conselhos de Farmácia
realizam mais uma campanha sobre a importância do uso racional de medicamentos
para a proteção à saúde. 

A data é alusiva ao tema e nesse ano traz um recado
simples e direto: “não entre em pânico e antes de usar qualquer medicamento,
consulte o farmacêutico”.

Live – O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP)
fará uma live voltada à população sobre o uso correto e
seguro de medicamentos. 

O bate-papo contará com os farmacêuticos e diretores do
Conselho, Danyelle Marini e Marcelo Polacow, a partir das 18h do dia
05/05, no canal do youtube do CRF-SP (https://www.youtube.com/user/crfspcanal). 

Entre os assuntos estão os riscos do uso de medicamentos sem orientação,
inclusive dos que não exigem prescrição médica, como o paracetamol, que
dependendo da dose, pode causar hepatite tóxica. 

Já a dipirona pode oferecer
risco de choque anafilático e o ibuprofeno é relacionado a tonturas e visão
turva. 

O uso prolongado da vitamina C pode causar diarreias, cólicas, dor
abdominal e dor de cabeça. E, com a ingestão excessiva de vitamina D, o cálcio
pode depositar-se nos rins e até causar lesões permanentes.

Os riscos são mais graves em relação à
hidroxicloroquina, medicamento indicado para tratar doenças como o lúpus
eritematoso. 

Da mesma forma que a cloroquina (indicada para a malária, porém
disponibilizada apenas na rede pública), a hidroxicloroquina pode causar
problemas na visão, convulsões, insônia, diarreias, vômitos, alergias graves,
arritmias (coração batendo com ritmo anormal) e até parada cardíaca. 

O uso de
hidroxicloroquina ou cloroquina em pacientes internados com teste positivo para
o novo coronavírus ainda não tem evidências representativas. Portanto, se
justifica apenas com supervisão e prescrição médica, atualmente, com retenção
de receita.

Campanha

A campanha será veiculada nas
mídias tradicionais e também nas redes sociais dos conselhos de Farmácia e
lembrará os ícones da profissão, como o farmacêutico baiano Rodolfo Marcos
Teófilo, graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1875 e radicado no
Estado do Ceará. 

Sem apoio do poder público, Rodolfo Marcos Teófilo enfrentou
duas epidemias de varíola, que vitimaram milhares de pessoas em Fortaleza e
cidades do interior cearense, no final do século XIX e início do século XX. 

Em
1862, aprendeu as técnicas de produção da vacina e em 1901 passou a imunizar a
população, contando com ajuda da sua esposa e de um auxiliar. Cuidou sozinho da
vacinação em massa pelos bairros pobres de Fortaleza até 1903.

Sobre o CRF-SP

Entidade responsável pela habilitação legal
do farmacêutico para o exercício de suas atividades, o Conselho Regional de
Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) é a maior entidade fiscalizadora de
estabelecimentos farmacêuticos do país, com mais de 80 mil fiscalizações anuais
em farmácias, drogarias, hospitais, indústrias, laboratórios, transportadoras e
mais de 65 mil profissionais inscritos no Estado. Mais informações www.crfsp.org.br