Sindifranca diz que a indústria calçadista permanece aberta ao diálogo e que será possível encontrar caminhos benéficos para os dois países
Na nota oficial que publicou após a notícia da sobretaxa americana de 50% sobre os calçados brasileiros que chegam aos Estados Unidos, Toni Hajel, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) informou que 40% dos calçados exportados por Franca têm destino dos Estados Unidos.
Embora os números específicos de Franca não tenham sido divulgados, a Abicalçados diz que os Estados Unidos receberam, em junho, 1 milhão de pares brasileiros, pelos quais foram pagos US$ 20,76 milhões, crescimentos tanto em volume (+39,4%) quanto em receita (+25,4%) em relação ao mesmo mês do ano passado.
No acumulado do semestre, as exportações para os Estados Unidos somaram 5,8 milhões de pares e US$ 111,8 milhões, incrementos de 13,5% e de 7,2%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2024.
Por isso mesmo, o Sindicato “diz entender que tal medida afeta de forma transversal toda a economia brasileira, penalizando indistintamente os diversos setores produtivos”.
“No entanto, como entidade que representa um segmento altamente exportador, sentimos a necessidade de destacar os impactos diretos e preocupantes que essa política trará à indústria calçadista de Franca, cuja produção tem forte vocação internacional”, diz o texto.
40% da produção para o mercado americano
A relação comercial com o mercado norte-americano, parceiro histórico e estratégico, com uma longeva relação econômica, sempre foi marcada por respeito mútuo, cooperação, complementaridade e oportunidades.
Toni Hagel reafirma “a importância de que essa parceria respeite a soberania entre os países e, que principalmente, seja guiada por critérios econômicos racionais e sustentáveis, e não por vieses ideológicos ou posicionamentos políticos de curto prazo, que desconsideram os laços históricos entre os dois países”.
Ainda que haja um desequilíbrio na balança comercial — atualmente desfavorável ao Brasil —, o volume e a qualidade dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos evidenciam a confiança mútua e o espaço consolidado da nossa produção no mercado norte-americano.
Apelo ao bom senso
A alegação de que há um “desequilíbrio injusto” carece de fundamento técnico, e a imposição de barreiras dessa magnitude pode comprometer não apenas setores produtivos inteiros, como também os empregos e a dignidade de milhares de famílias brasileiras.
“O Sindifranca apela ao bom senso diplomático e à sabedoria dos líderes de ambas as nações, para que os princípios do livre comércio e do desenvolvimento sustentável prevaleçam sobre decisões unilaterais e protecionistas, que desconsideram os devastadores efeitos sociais e econômicos que certamente virão, caso tal medida seja mantida.
“Reiteramos que a indústria calçadista de Franca permanece aberta ao diálogo e acredita firmemente que, com serenidade e visão de longo prazo, será possível encontrar caminhos justos, equilibrados e benéficos para os dois países”.