Concorrência dos países asiáticos preocupa fabricantes de calçados brasileiros
Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que o setor perdeu 20,75 mil postos de trabalho ao longo de 2023.
É o pior saldo desde o auge da pandemia de Covid-19, em 2020, quando o setor perdeu 23 mil postos. Com o resultado, a indústria calçadista encerrou 2023 empregando um total de 275,58 mil pessoas, 7% menos do que em 2022.
Para o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o resultado se deve a uma conjunção de fatores, entre eles o desaquecimento da economia mundial, que provocou a queda das exportações, e o aumento das importações asiáticas – por vias convencionais e cross border.
“O principal fator dessa perda é o impacto da concorrência desleal com as plataformas digitais internacionais, que desde agosto passado estão isentas do pagamento de impostos de importação para remessas de até US$ 50 (cerca de R$ 250). Somente no último trimestre de 2023 perdemos mais de 20 mil postos”, lamenta o dirigente.
Segundo o executivo, a isenção das plataformas digitais na faixa de preço dos calçados brasileiros proporcionam uma concorrência desleal com a indústria nacional, que paga seus impostos em cascata.
“As importações de calçados via plataformas não são nem mesmo computadas, mas sabemos que o número é muito elevado. Essa invasão digital está colocando em risco não só a indústria de transformação, mas milhares de empregos”, alerta.