Alta dos preços: supermercados aceleram remarcações – desculpa é a guerra na Ucrânia

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 21 de março de 2022 às 12:00
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De acordo com especialistas e representantes do setor de supermercados, os aumentos ficarão mais visíveis ao consumidor nesta semana

De acordo com especialistas e representantes do setor de supermercados, preços ficarão mais altos

 

Os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que respondem por 30% das exportações mundiais de trigo, começam a chegar às prateleiras dos supermercados.

Os preços ao consumidor da farinha de trigo, do macarrão, dos biscoitos e até do óleo de soja tiveram forte alta no início do mês, superando de longe reajustes de fevereiro.

Entre 1.º e 12 de março, nos supermercados, a farinha de trigo ficou, em média, 4,46% mais cara, o preço do macarrão com ovos subiu 4,24%, o de biscoitos, 2,62% e o do óleo de soja, 5,79%, em comparação com igual período de fevereiro, aponta um levantamento feito, a pedido do Estadão, pela startup Varejo 360.

Especializada em pesquisa de mercado, a empresa coletou os preços desses itens nos tíquetes de compra de 150 mil clientes de supermercados no Estado de São Paulo.

O levantamento mostra que, de 1.º a 12 fevereiro, antes da guerra, que começou no dia 24, os preços desses itens tiveram aumentos bem mais moderados ante igual período de janeiro.

A farinha de trigo, por exemplo, tinha subido 0,24%, os biscoitos, 1,64%, e o óleo de soja, 1,46%. E o macarrão com até ficou 0,97% mais barato.

“Muito provavelmente os aumentos mais acentuados em março devem ser reflexo da disparada do trigo por causa da guerra”, afirma Fernando Faro, sócio da consultoria e responsável pelo levantamento.

Nos últimos 30 dias, até a última quinta-feira, o preço da tonelada de trigo subiu quase 20% no Rio Grande do Sul e beirou R$ 2 mil, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Faro observa que a maior parte dos reajustes de preços feitos pelos varejistas se concentrou no sábado, 12 de março.

E sábado geralmente é o dia da semana no qual os supermercados costumam ser mais agressivos nas promoções.

Isso pode indicar, segundo ele, que a pressão de custos das matérias-primas pesa mais neste momento do que a estratégia para alavancar as vendas.

Agravamento

Os aumentos são confirmados pelos supermercados. Fábio Queiróz, presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro, conta que pães, biscoitos e todos os derivados de trigo e soja – grão que é um substituto do trigo – estão sendo comprados pelos supermercados com preços mais altos. “O quadro se agravou com o início da guerra.”

Os supermercadistas, conta, brigam por centavos nas negociações com fornecedores para reduzir repasses para o preço ao consumidor. Os aumentos ficarão mais visíveis ao consumidor nesta semana.

Em São Paulo, executivos do setor relataram à Associação Paulista de Supermercados aumentos da farinha de trigo da ordem de 15% na primeira quinzena do mês, com indicações de novos reajustes.

No caso do óleo de soja, a majoração do preço teria sido de 20%.

*Informações Estadão


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