Formula Chopp

Aglomerando sem máscara? Entenda o que é a chamada dissonância cognitiva

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 13 de junho de 2021 às 16:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Conceito da psicologia social ajuda a explicar comportamentos que não condizem com o lado racional das pessoas

Dissonância cognitiva é o conflito entre o que se quer, nosso discurso e nossa ação

 

Desde o começo da pandemia de coronavírus, em março de 2020, órgãos e entidades de saúde de todo o mundo têm alertado à população sobre a importância das medidas de prevenção.

Uso de máscaras, higienização frequente das mãos e distanciamento social são algumas das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) repetidas pelos médicos à exaustão.

Você já deve ter ouvido frases como “A saúde mental também é importante”, “Confio que meus amigos estão tomando as medidas de precaução”, “Uma vez só não é problema” ou “Todo mundo vai pegar” como justificativa para comportamentos que contrariam as orientações de saúde e até os próprios valores dos emissores.

Ainda que as informações científicas sobre a Covid-19 estejam disponíveis, existem aqueles que tomam decisões em desacordo com elas.

“A dissonância cognitiva representa um conflito entre algo que a gente quer, nosso discurso e nossa ação”, explica Carlos Augusto de Medeiros, psicoterapeuta e professor do Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

Segundo Carlos Augusto, esse mecanismo psicológico é recorrente, uma vez ser bastante desafiador para os humanos manter um comportamento coerente o tempo todo.

“Agimos assim para fornecer argumentos para nós mesmos e para os outros que justifiquem condutas em desacordo com o que sabemos ser o certo, é uma maneira de evitarmos a culpa”, afirma.

A pandemia representa um contexto muito propício para comportamentos dissonantes, diz o especialista.

“Muitas vezes as pessoas não terão o autocontrole necessário para respeitar as medidas de cuidados sanitários apesar de saberem da importância.”

A médica psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, Renata Figueiredo, avalia que, para muitas pessoas, existe um desconforto psíquico que faz com que elas se apeguem a fatos que corroborem suas atitudes.

“A pessoa pode pensar, nesse caso específico de aglomerar, que nem todo mundo que se junta fica doente e, assim, usa esse artifício para justificar o próprio comportamento.”

Ela explica que há uma dificuldade inerente às mudanças de hábitos, ainda que eles sejam para a proteção do indivíduo.

“É a mesma questão de usar cinto de segurança, que precisou ter lei e campanhas para virar um hábito adquirido”.

*Informações Metrópoles


+ Comportamento