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A quarentena pode nos transformar em pessoas solitárias? Estudo revela

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 13 de julho de 2020 às 02:34
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 20:58
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Sim, pessoas que são postas em situações de isolamento passam a gostar da solidão

A solidão afeta a saúde mental e física, mas, contra-intuitivamente, também pode resultar em uma diminuição do desejo de interação social.

Sim, pessoas que são postas em situações de isolamento passam a gostar da solidão.

Como é muito difícil estudar esse paradoxo em humanos, pesquisadores da Universidade College de Londres (Reino Unido) resolveram estudar o fenômeno observando o comportamento social do peixe-zebra.

A maioria dos peixes-zebra – ou paulistinhas – demonstra comportamento pró-social, mas aproximadamente 10% deles são peixes mais solitários, avessos a interações sociais, demonstrando inclusive uma atividade cerebral diferente de seus irmãos pró-sociais.

No entanto, mesmo um peixe-zebra tipicamente social evita a interação social após um período de isolamento. 

Os pesquisadores decidiram testar se a atividade cerebral desses peixes-zebra isolados batem com a atividade cerebral dos peixes naturalmente solitários ou se outras forças estão em jogo.

Para isso, os pesquisadores isolaram peixes-zebra tipicamente sociais de outros peixes por um período de dois dias e depois compararam sua atividade cerebral com a dos peixes-zebra que demonstram aversão natural à interação social, sem terem sido isolados forçadamente.

Ansiedade pela vida social

Os peixes que foram forçados ao isolamento apresentaram sensibilidade a estímulos e um aumento na atividade em regiões do cérebro relacionadas ao estresse e à ansiedade. 

Esses efeitos do isolamento foram rapidamente superados quando o peixe recebeu uma droga que reduz a ansiedade.

Já os peixes naturalmente solitários apresentaram uma atividade diferente no hipotálamo, a região do cérebro responsável pelas recompensas sociais – eles não experimentam recompensas da mesma maneira que os peixes típicos durante as interações sociais.

“Embora o comportamento humano seja muito mais complexo, entender como esse impulso social básico surge – e como é afetado pelo isolamento – é um passo necessário para entender o impacto do ambiente social no cérebro e no comportamento humano”. 

O peixe-zebra, que é completamente transparente durante seu desenvolvimento inicial, oferece aos neurocientistas uma visão detalhada dos seus circuitos cerebrais.

“Nós não nos tornaremos todos solitários após o isolamento [devido à pandemia], mas estaremos ansiosos ao retornar à nossa vida social normal”. 

“Ao sairmos do bloqueio, devemos estar cientes dessa nova sensibilidade e ansiedade, mas também reconhecer que é necessário superar isso para voltar a uma existência social normal e saudável,” disse a Dra. Elena Dreosti, coordenadora da equipe.