RELACIONAMENTO

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 3 de março de 2016 às 18:41
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:39
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​Existem dois caminhos, aparentemente opostos, para a Iluminação – voltar
para a Luz, regressar à essência divina em nós mesmos, à unidade e à paz. Um
deles é o caminho da Meditação, que você trilha sozinho, não precisa de ninguém
para atingir esse estado, como exemplo temos a vida de Buda. O outro caminho é
o do Amor, em que o outro é o meio pelo qual chego a essa essência. Um caminho
de despojamento e de aprendizado contínuo através do relacionamento, por isso
ouso dizer que, para quem escolhe o caminho do Amor, o relacionamento é um dos
exercícios espirituais mais profundos, como exemplo desse caminho temos a
figura de Jesus Cristo. Acredito que quase todo o mundo sente o mesmo e que
questiona várias vezes durante a vida os porquês de ser tão desafiante e
difícil nos relacionarmos com outras pessoas. Vamos investigar um pouco mais o
que é o relacionamento afinal de contas. Cada um de nós é um pedaço de Deus, um
pedaço do Universo, tal como uma peça de puzzle e, claro, há peças que encaixam
na perfeição e outras que não. Como em tudo há aspetos nossos que são mais
fáceis de lidar e aceitar e tem outros que são verdadeiros “moinhos de vento”,
parafraseando Don Quixote de Cervantes. Se olharmos para esses ditos moinhos
vamos perceber que, na verdade, não existem, ou se quisermos, não são assim tão
assustadores, pois podemos facilmente incluir esses aspetos da nossa psique
humana, também conhecidos como arquétipos, e aprender a lidar com eles com
mestria. Normalmente a nossa dificuldade nos relacionamentos se prende com
algum aspeto que o outro manifesta e com o qual não lidamos muito bem, porque
não aceitamos em nós mesmos e por isso vive em conflito dentro de nós. A rápida
crítica e julgamento que fazemos em relação ao outro é apenas a ilusão de que o
“defeito” está apenas com ele e não comigo mesmo. Como se me ausentasse da
responsabilidade de conter em mim todo o comportamento humano, desde o animal
(agressivo, instintivo) ao divino (amoroso, pleno e realizado). Na verdade,
relacionamento é sempre comigo mesmo, mesmo que o outro possa servir, e serve,
de espelho, me mostrando todos os meus comportamentos, sentimentos e
pensamentos manifestados. O fora é o dentro espelhado. Se tenho dificuldade em
me relacionar com o outro, o que isso diz de mim mesmo? Será que tenho
dificuldade em lidar com quem sou? O que me irrita mais no outro e que tenho
dificuldade em aceitar, será que é o que me irrita mais em mim mesmo e que
rejeito? Ficam estas perguntas como reflexão para esta semana. 

Para mais informações e contatos com o colunista visite o site:www.josesebastiao.net

*Esta coluna é semanal e atualizada às sextas-feiras.


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