Cerimônia de canonização de Irmã Dulce será em outubro no Vaticano

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 1 de julho de 2019 às 10:21
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:38
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Irmã Dulce, a primeira mulher nascida no Brasil que se tornará santa, será canonizada no dia 13 de outubro

Irmã
Dulce, a primeira mulher nascida no Brasil que se tornará santa, será
canonizada no dia 13 de outubro de 2019, em uma celebração presidida pelo Papa
Francisco, no Vaticano, em Roma.

A
informação foi divulgada na manhã desta segunda-feira, 1º de julho, em coletivas
de imprensa que ocorreram em Roma, no Vaticano, e no Santuário Bem-Aventurada
Dulce dos Pobres, no Largo de Roma, em Salvador.

Além
de Irmã Dulce, no mesmo dia, durante o Sínodo da Amazônia, serão canonizados
outros quatro santos, segundo o Vaticano. Entre eles, está o cardeal inglês
John Henry Newman, um dos principais intelectuais cristãos do século 19.

Nascido
em 1801, em Londres, Newman foi pastor anglicano, mas, ao longo de seus
estudos, acabou se convertendo ao catolicismo. Tornou-se padre e um teólogo
reconhecido internacionalmente. Sua obra foi amplamente citada no Concílio
Vaticano II. Entre as principais estão “Ensaio sobre o Desenvolvimento da
Doutrina Cristã”. Ele foi beatificado em setembro de 2010, pelo Papa Bento
XVI. 

Coletiva em Salvador

O
arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, e a
superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita Pontes, e participaram
da coletiva, em Salvador.

Dom
Murilo Krieger detalhou que a beata levará o nome santo de Santa Dulce dos
Pobres e seu dia será celebrado sempre no dia 13 de agosto. “No dia seguinte à
canonização, no dia 14 de outubro, haverá uma missa na Igreja de Santo Antônio
dos Portugueses (Roma), igreja do século XVII. Será a missa da Santíssima Trindade
agradecendo o dom de Irmã Dulce. E aqui em Salvador, a celebração será na Arena
Fonte Nova, no dia 20 de outubro”, revelou o arcebispo.

O
Vaticano anunciou a canonização da Irmã Dulce em maio deste ano, quando um
segundo milagre atribuído à religiosa, também conhecida como “O Anjo bom da
Bahia”, foi reconhecido por meio de decreto.

A
pessoa agraciada pelo segundo milagre de Irmã Dulce reconhecido pelo Vaticano é
um homem, que morava na Bahia, e foi curado após passar 14 anos cego. Ele
participou da coletiva nesta segunda.

O
milagre teria ocorrido após o homem pedir a Irmã Dulce para interceder por ele,
por conta de uma conjuntivite, pouco antes de dormir. Quando acordou, no dia
seguinte, o homem havia melhorado da doença e voltado a enxergar, segundo a Arquidiocese
de Salvador.

O
milagre intriga médicos, pois, mesmo após voltar a enxergar, os exames do homem
apontam lesões que deveriam impedir que ele tivesse o sentido.

Além
desses dois milagres reconhecidos, mais de 10 mil outros relatos feitos por fiéis
do mundo inteiro são armazenados pelas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), em
Salvador. Há depoimentos de cura de câncer, superação de vício em drogas,
conquista de emprego, solução de dívidas e problemas familiares, sobrevivência
a acidentes graves.

Canonização

A
canonização de Irmã Dulce será a terceira mais rápida da história (27 anos após
seu falecimento), atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá (19
anos após o falecimento da religiosa) e do Papa João Paulo II (9 anos após sua
morte).

Três
graças alcançadas por devotos, após orações a Irmã Dulce, estavam sendo
analisadas pelo Vaticano, com vista no processo de canonização da religiosa.
Esses três casos foram enviados ao Vaticano pelas Obras Sociais Irmã Dulce
(OSID), em 2014, após análise de profissionais da própria instituição.

O
primeiro milagre foi reconhecido em outubro de 2010, quando Irmã Dulce foi
beatificada. Depois disso, iniciou-se o processo para buscar a canonização,
quando a pessoa passa a ser considerada santa pela Igreja Católica.

O
Vaticano tem quatro exigências quanto à veracidade da graça, até ser
considerada milagre: ser preternatural (a ciência não consegue explicar),
instantâneo (acontecer imediatamente após a oração), duradouro e perfeito.

Frei
Galvão, conhecido pelas pílulas milagrosas que, segundo a fé católica, têm
poder de cura e que nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo,
foi o primeiro santo nascido no Brasil a ser canonizado, em 11 de maio de 2007,
pelo então Papa Bento XVI.

Madre
Paulina, que morava em Santa Catarina, também foi canonizada e ficou conhecida
como a primeira santa do Brasil. Ela, no entanto, nasceu na Itália e só veio
morar no país com a família aos 10 anos. Com isso, Irmã Dulce se tornará a
primeira santa nascida no Brasil. 

História e legado

Irmã
Dulce, cujo nome de batismo era Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, é
recordada por suas obras de caridade e de assistência aos pobres e
necessitados. Religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada
Conceição da Mãe de Deus, a beata nasceu em Salvador, em 26 de maio de 1914.

Desde
cedo manifestou interesse pela vida religiosa. Aos 13 anos de idade, passou a
acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família –
na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré – em um centro de atendimento.
A casa ficou conhecida como “A Portaria de São Francisco”, por conta
do grande número de carentes que se aglomeravam a sua porta.

Em
1933, a jovem ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada
Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, cidade de São
Cristóvão, em Sergipe. No mesmo ano, recebeu o hábito e adotou o nome de Irmã
Dulce, em homenagem à sua mãe, que se chamava Dulce Maria de Souza Brito Lopes
Pontes e morreu quando a freira tinha 7 anos.

No
ano de 1935, já de volta a Salvador, dava assistência à comunidade pobre de
Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro
de Itapagipe. Nessa mesma época, começa a atender também os operários que eram
numerosos naquele bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União
Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que
depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

Em 1939, Irmã
Dulce invadiu cinco casas na localidade da Ilha do Rato, na capital baiana,
para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, ela
peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da
cidade.

Por fim, em
1949, Irmã Dulce ocupou um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio, após
autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu
origem à história propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira
construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro.

Já em 1959, é
instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), e no ano
seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.

A Osid
atualmente é um dos maiores complexos de saúde com atendimento 100% gratuito do
Brasil, com 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do
Sistema Único de Saúde (SUS), entre idosos, pessoas com deficiência e com
deformidades craniofaciais, pacientes sociais, crianças e adolescentes em
situação de risco social,dependentes de substâncias psicoativas e pessoas em
situação de rua.

Segundo a
instituição, nos últimos 25 anos a entidade contabiliza 60 milhões de
atendimentos ambulatoriais e mais de 280 mil cirurgias realizadas, o que dá uma
média de aproximadamente 30 cirurgias por dia.

Irmã Dulce
faleceu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, em
Salvador.


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