Sister effect: Por que homens com irmãs viraram sinal verde nos relacionamentos?

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 21 de dezembro de 2025 às 19:30
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A teoria de que homens que cresceram com irmãs seriam parceiros mais maduros ganhou força nas redes sociais. Mas até que ponto essa ideia é uma realidade?

Teoria do “sister effect” viraliza nas redes, mas psicólogas explicam: ter irmã não garante empatia ou maturidade emocional nos relacionamentos (Foto Freepik)

 

Nos últimos tempos, um rótulo ganhou força nas redes sociais: homens que cresceram com irmãs seriam mais sensíveis, respeitosos e bons parceiros — as famosas green flags.

A teoria, apelidada de “sister effect”, sugere que a convivência com irmãs ensinaria esses homens a lidar melhor com emoções, mulheres e relacionamentos.

Vídeos com milhões de visualizações reforçam a ideia de que “todo cara legal tem uma irmã”, enquanto usuárias brincam dizendo que ensinaram desde empatia até skincare aos irmãos.

A cultura pop também ajuda a sustentar o imaginário, com exemplos de relações fraternas admiradas, como Sandy e Junior.

Mas será que existe base científica para tudo isso?

O que os estudos mostram sobre irmãos

Pesquisas em Psicologia do Desenvolvimento indicam que irmãos, de fato, exercem influência mútua.

Um estudo divulgado em 2018 pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com universidades do Canadá, mostrou que a convivência diária pode favorecer o aprendizado de empatia, cooperação e habilidades sociais — especialmente quando há vínculos afetivos positivos.

Outro levantamento publicado na revista Child Development aponta que irmãos mais velhos gentis e solidários tendem a influenciar positivamente os mais novos. Ou seja: relações fraternas saudáveis podem ampliar repertórios emocionais.

O ponto-chave, porém, não é o gênero do irmão, mas a qualidade da relação e o ambiente familiar como um todo.

Generalizar é o verdadeiro problema

Para a psicóloga Ingrid Olivieri, a ideia de que homens com irmãs seriam automaticamente melhores parceiros precisa ser vista com cautela.

“Essa influência não é automática nem determinante. Depende de como essa convivência aconteceu e de como essas experiências foram elaboradas ao longo da vida”, explica.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, o que molda o comportamento afetivo são os significados construídos, os modelos parentais e os reforços emocionais recebidos. Nenhuma vivência isolada define quem alguém será em um relacionamento.

A psicanalista Jhulie Campello reforça: empatia, comunicação emocional e respeito aos limites são aprendidos principalmente a partir das figuras adultas de referência. “Se o menino cresce em um ambiente de escuta, respeito e validação, isso pesa muito mais do que ter ou não uma irmã”, afirma.

“Mulheres não são escolas emocionais”

As especialistas também alertam para um efeito colateral perigoso dessa narrativa: transferir às mulheres a responsabilidade pelo amadurecimento emocional dos homens.

“Existe o risco de reforçar a ideia de que o homem só se torna empático porque foi ensinado por uma mulher”, diz Olivieri. Isso alimenta expectativas irreais e pode gerar frustração nos relacionamentos.

No fim das contas, relacionamentos saudáveis não se constroem a partir de rótulos virais, mas de atitudes concretas, responsabilidade emocional e disposição para aprender — com ou sem irmãs na história.

Fonte: Marie Claire