Saiba como organizar os investimentos para comprar o primeiro imóvel

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 3 de novembro de 2025 às 11:00
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Planejamento financeiro, metas claras e uso inteligente dos investimentos ajudam a transformar o sonho da casa própria em projeto possível

Comprar o primeiro imóvel é um dos principais objetivos financeiros dos brasileiros, mas também um dos mais desafiadores. Em um contexto de juros altos e imóveis valorizados, planejar os investimentos se torna um passo indispensável.

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o crédito imobiliário somou R$ 179 bilhões em 2024, crescimento de 5% em relação ao ano anterior.

O dado mostra que, mesmo com custos mais altos, a busca pela casa própria segue em alta, e exige organização financeira mais estruturada.

De acordo com levantamento do FipeZap, o preço médio do metro quadrado residencial no Brasil subiu 5,3% em 2024, impulsionado pelo aumento nos custos de construção e pela demanda nas grandes cidades.

Nesse cenário, quem deseja sair do aluguel precisa combinar disciplina, controle de gastos e investimentos adequados ao prazo da compra.

Definir metas e prazos é o primeiro passo

Antes de escolher onde investir, é necessário entender quanto e em quanto tempo se pretende comprar o imóvel.

A meta precisa ser realista e considerar todos os custos envolvidos, não apenas o valor de compra. Impostos, taxas cartorárias, seguros e eventuais reformas podem somar de 3% a 8% do valor total do imóvel, segundo a Caixa Econômica Federal.

Definir um prazo ajuda a escolher os investimentos mais adequados. Para metas de curto prazo (até dois anos), aplicações com liquidez e baixo risco, como Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária, são opções mais seguras.

Já para quem pode esperar mais tempo, é possível buscar investimentos com rentabilidade maior, ainda que com prazos mais longos de resgate.

Controle de gastos e reserva financeira

Antes de iniciar qualquer aplicação, é importante estruturar o orçamento e criar uma reserva de emergência. Esse fundo serve para cobrir imprevistos e evitar que o dinheiro destinado ao imóvel seja usado em momentos de necessidade.

A recomendação é acumular o equivalente a seis meses de despesas mensais, preferencialmente em produtos de alta liquidez e baixo risco.

Com a reserva garantida, o foco pode ser direcionado para o investimento no imóvel. O controle de gastos também é parte do processo.

Aplicativos de finanças pessoais ajudam a identificar despesas desnecessárias e a redirecionar recursos para a meta principal. Pequenas economias mensais, quando aplicadas de forma consistente, podem se transformar em um valor expressivo no longo prazo.

Onde investir para o objetivo da casa própria

O ideal é diversificar os investimentos conforme o tempo disponível até a compra. Para prazos curtos, as opções de renda fixa são mais indicadas, como Tesouro Direto, CDBs e fundos DI. Elas oferecem previsibilidade e segurança, evitando oscilações bruscas no valor acumulado.

Para quem pretende comprar o imóvel em um período superior a três anos, é possível incluir investimentos de médio e longo prazo na carteira, como fundos multimercado, LCIs e LCAs (que têm isenção de Imposto de Renda), ou mesmo fundos imobiliários (FIIs), que permitem acompanhar o comportamento do mercado de imóveis antes da compra.

O importante é alinhar o perfil de risco à meta. A pressa para acelerar o ganho pode levar a decisões impulsivas e perdas financeiras. Ter uma estratégia clara ajuda a manter a disciplina e ajustar o plano conforme as condições do mercado.

Financiamento e entrada: como equilibrar os valores

O financiamento continua sendo o caminho mais utilizado para adquirir o primeiro imóvel. Segundo a Abecip, mais de 60% das compras em 2024 foram financiadas. Nesse caso, o desafio está em juntar o valor da entrada, que geralmente representa entre 20% e 30% do valor total.

Ter uma quantia maior de entrada reduz o valor financiado e o total pago em juros. É nesse ponto que as análises de investimento se tornam um diferencial.

Ao entender o desempenho de diferentes produtos e simular cenários de rendimento, o comprador pode otimizar seus aportes e aumentar o valor acumulado antes da compra.

Ferramentas de gestão financeira e consultorias especializadas ajudam a calcular o potencial de crescimento do capital investido e identificar a melhor combinação entre rentabilidade e segurança.

Planejamento tributário e benefícios possíveis

Muitos investidores esquecem de considerar o impacto dos impostos ao planejar a compra de um imóvel. No caso dos investimentos, o rendimento líquido pode variar conforme o tipo de aplicação e o prazo. Produtos isentos de IR, como LCIs e LCAs, tornam-se opções atrativas para quem busca otimizar o retorno.

Outro ponto é o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como parte da entrada ou amortização do financiamento. O fundo pode ser utilizado por quem trabalha com carteira assinada e cumpre os requisitos legais, o que ajuda a reduzir o montante de crédito necessário.

Educação financeira e orientação profissional

O processo de compra do primeiro imóvel envolve decisões que vão além da escolha do investimento. Envolve entender taxas, contratos e o impacto do endividamento no orçamento familiar.

Por isso, buscar apoio profissional pode ser um diferencial importante. Consultores financeiros ajudam a montar uma estratégia personalizada, considerando o perfil do comprador, a renda disponível e o prazo de compra.

O mercado também oferece simuladores online gratuitos que permitem comparar o custo total de financiamentos, a rentabilidade de aplicações e a viabilidade de diferentes cenários. Utilizar essas ferramentas é uma forma de tomar decisões mais informadas e evitar surpresas no longo prazo.

Construindo um patrimônio de forma sustentável

Organizar os investimentos para a compra do primeiro imóvel é mais do que uma meta financeira: é um exercício de disciplina e planejamento. O cenário de juros altos exige cautela, mas também abre espaço para oportunidades em aplicações seguras e rentáveis.

Ao equilibrar planejamento, diversificação e acompanhamento constante, o comprador aumenta suas chances de alcançar o objetivo com segurança. As análises de investimento, quando bem aplicadas, funcionam como um guia para tomar decisões conscientes e acumular o valor necessário para a entrada e o financiamento.

A conquista do primeiro imóvel, portanto, é resultado de escolhas consistentes. Entender o mercado, usar as ferramentas certas e manter o foco são passos que transformam um desejo em uma realização possível, e financeiramente inteligente.


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