Terra treme em Monte Alto, mas abalo não chega a Franca, aponta sismologia da USP

  • Robson Leite
  • Publicado em 15 de março de 2023 às 17:00
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Monte Alto e Pirangi registraram abalos que chegaram a 2.2 na escala Richter na madrugada e na manhã de terça-feira (14).

O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) registrou tremores de terra em Monte Alto (SP) e em Pirangi (SP) nesta terça-feira (14). Os registros ocorreram às 3h46 e às 3h47 em Monte Alto, enquanto em Pirangi, às 5h34 e às 11h57.

De acordo com o Centro de Sismologia, o maior deles teve 2.2 de magnitude na escala Richter.

Segundo o professor da USP Marcelo Assumpção, a intensidade é suficiente para balançar portas e janelas. Nenhum dano foi reportado até o momento.

“Tremores de terra bem pequenos são relativamente comuns no Brasil e não costumam ter maiores consequências. Tremores são imprevisíveis e não há como saber se a atividade vai continuar por mais alguns dias, semanas, ou se vai parar totalmente”, afirmou o professor ao portal G1 Ribeirão e Franca.

Susto e assunto nas redes socias

Em Monte Alto, moradores ficaram assustados e o assunto logo ganhou as redes sociais.

“Por volta das 3h30, eu senti um tremor bem forte, acordei assustada. Na segunda vez foi por volta das 3h45, parecia um estouro, e todos da minha casa ficaram preocupados. Levantamos, entramos no Facebook e vimos que foram vários bairros”, diz Michelle Cristina.

A moradora Rosilene Inglesias também acordou de madrugada ao ouvir um forte estrondo.

Estalos

“O primeiro era 3h20 da manhã. Fui ver o que era, mas não era nada. Fui na cozinha e escutei o segundo estrondo. Foi como se o chão da minha casa estivesse se soltando da terra. A sensação é que meu corpo levantou. Saí para fora e vi os vizinhos todos na rua, todos com medo, e os cachorros muito estressados. Foi um susto muito grande e se seguiram os estalos até umas 6h40. Foi o último que escutei”, afirma.

Já Gislaine Bergo pensou, a princípio, que o primeiro barulho na madrugada era de alguém entrando na casa dela.

“Minha cama fica encostada na parede. Fiquei quietinha escutando, pois fiquei com medo de ser gente pulando aqui. Mas o barulho foi muito forte para ser somente uma pessoa. Minutos depois, senti de novo. Aí parecia que a casa ia cair. Levantei, acendi todas as luzes, olhei tudo e não tinha sinal de chuvas, trovão, nada disso. Fiquei sem entender”, diz.

Possível causa natural

O professor da USP diz que a maioria dos tremores têm causas naturais e se devem a grandes pressões geológicas atuando na crosta terrestre. São resultado de uma movimentação repentina em alguma falha ou fratura geológica, que “escorrega” por causas das pressões geológicas.

“Em alguns casos raros, os tremores podem ser causados (ou “precipitados”) pela abertura de poços profundos que exploram o aquífero fraturado dentro da camada de basalto na Bacia do Paraná. Esse foi o caso de alguns tremores do passado como em Fernando Prestes (1959), Nuporanga (1998), Bebedouro (2004 e 2009), Taquaritinga (2018) e Sales Oliveira (2021)”, diz Assumpção.

No caso de Monte Alto e Pirangi, ainda não é possível afirmar a causa, mas o professor acredita que o mais provável seja uma causa natural.


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