Ex-aliados são maioria dos votos para cassação do Prefeito Alexandre Ferreira

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 28 de julho de 2016 às 07:06
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:52
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Conheça a motivação dos vereadores que são favoráveis ou contrários à cassação do prefeito

​Adesistas, magoados, excluídos, ex-parceiros e ex-líderes. Eles estão do outro lado das pretensões do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de manter os últimos cinco meses de seu mandato e votam a favor do relatório da CP – Comissão Processante – que recomendou a medida extrema de cassação por infração político-administrativa no exercício do mandato. 

Lá estão – prontos a dizer “sim” à cassação: Marcelo Valim, Pastor Otávio Pinheiro, Marco Garcia, Daniel Radaéli, Valéria Marson e Adérmis Marini. 

Deste grupo que já antecipou o voto na tarde de hoje, na sessão decisiva, que começa às 17h, acrescente-se o nome e o voto de Márcio do Flórida (ex-PT) que nunca foi mesmo da situação, foi autor do pedido da CEI e por sorteio acabou integrando também a CP. 

Os outros seis já decididos a soltarem a guilhotina na história política de Alexandre – que seria o primeiro prefeito cassado da História de Franca – tiveram, mesmo que breve, uma história com o prefeito. 

Valim 

Marcelo Valim, que disputou a eleição pelo PSDB e defendeu o nome de Alexandre para Prefeito, ficou na suplência como vereador. Esperava ser chamado para uma secretaria ou cargo de confiança. No mínimo queria que Ferreira chamasse um dos eleitos pelo partido tucano para uma das secretarias para que ele voltasse ao Legislativo.

Solenemente ignorado pelo Prefeito, Valim pulou do ninho tucano para o PPS, onde durou pouco. Por interesses profissionais, mudou de novo, desta vez para o PSD. 

Valim lá estava quando Jepy Pereira faleceu, em março, e ele retornou, não sem antes viver a angústia de um processo movido pelo também suplente Josué Bartolomeu – o Romeu, que reivindicava a vaga por Valim ter deixado a sigla do qual ficara como suplente. O imbróglio só foi resolvido em junho, quando a Justiça decidiu que Valim era detentor do direito de substituir Jepy. 

Pastor Otávio

Pastor Otávio Pinheiro (PTB) faz o estilo dos vereadores José Mercuri e José Granzote das décadas de 60, 70, 80 e 90: se há governo, até que não seja ferido em seus pedidos e reivindicações, está a favor. 

A exemplo dos vereadores do PSB, atuou na base do “tamo junto”, mas quando a coisa degringolou politicamente para Alexandre, votou pela aprovação do relatório da CEI e agora caminha para o “sim” ao relatório da CP. 

Marco Garcia

Antes de se tornar presidente  e até o episódio da CEI, Marco Garcia (PPS) era um fiel escudeiro de Alexandre Ferreira. Contundente, Garcia foi bom e hoje é ruim para o tucano.

Transformou-se, em várias oportunidades, no líder de governo que a administração precisava na Câmara, mas sucumbiu ante algumas questões, como o desgaste político do Prefeito e mais recentemente à possibilidade de se tornar candidato a vice de adversários políticos de Ferreira, como Sidnei Rocha, Ubiali e Graciela (que deixou de ser protagonista na atual eleição). 

Daniel Radaéli

Único eleito pelo PMDB, o delegado Daniel Paulo Radaéli teve que ser aliado nos primeiros meses de governo, pois seu correligionário, Fernando Baldochi foi eleito vice na chapa de Alexandre.

Tornou-se voz opositora ao longo dos últimos meses, fez parte da CEI e como policial direcionou, como quis, as investigações em torno das irregularidades do prefeito na contratação da empresa de prestação de serviços médicos que usou falsos profissionais no cumprimento do contrato, criou uma indústria de horas-extras na rede pública de saúde e instalou o caos na saúde de Franca. 

Valéria Marson

Uma das sempre ouvidas vozes de exaltação de Alexandre Ferreira e de seu partido, no começo do mandato, a vereadora mais votada da cidade, Valéria Marson (pelo mesmo PSDB) viu sua relação com a administração se deteriorar em breve espaço de tempo. 

Tornou-se opositora e, mal orientada, aventurou-se na troca por um partido em que dificilmente manteria seu cacife eleitoral: o Partido da Mulher Brasileira, sem historia e sem nomes de expressão na cidade. Arrependeu-se.

Tanto arrependeu-se que um convite salvador do PSD deu-lhe a chance de sair da enrascada, mas acabou entrando em outra: não cumpriu os prazos de troca de partido e na última segunda-feira (25) teve seu mandato cassado, por unanimidade, pelo TRE – Tribunal Regional Eleitoral de SP. 

Ela ainda pode recorrer ao TSE, mas é com este ânimo – e por ter sido recém-escolhida candidata a vice, do próprio PSDB, que deixou por causa de Alexandre -, que Valéria vai a Plenário hoje, votar pelo “sim” da cassação do ex-parceiro.

Adérmis Marini Júnior

Outro tucano que tem história “lá e cá” com Alexandre Ferreira. Nova expressão política na cidade, Adérmis chegou deslumbrado à Câmara e tão logo foi convidado, aceitou o convite para ser líder do prefeito. 

Durou pouco, não só pela sua inexperiência natural de primeiro mandato, mas porque Alexandre Ferreira é pouco afeito à diplomacia e achou que nunca precisaria da Câmara.

Adérmis também tem mágoas. Na disputa para Deputado Federal em 2014, Alexandre não deu ao seu companheiro de partido o devido apoio político. O troco vem hoje à tarde.

Os indecisos

Têm indecisão quanto à cassação de Alexandre Ferreira, os vereadores Luiz Carlos Vergara, Claudinei da Rocha, Nirley de Souza e Zezinho Cabeleireiro. 

Os quatro têm bom relacionamento com Alexandre e só mudaram de posição quando da votação do relatório da CEI para a criação da Comissão Processante. 

Vergara foi líder de Alexandre até maio passado e afirma ter conseguido dezenas de obras e serviços em parceria com o Prefeito. Acometido de uma infecção hospitalar após exame de rotina, ficou afastado das articulações dos últimos dias.

Claudinei teve vários de seus projetos para a zona sul atendidos pela administração, o mesmo acontecendo com Zezinho Cabeleireiro, representante da zona leste na Câmara. 

Nirley, além de sempre mexer os pauzinhos para conseguir alguma coisa da administração, hoje se destaca mais, neste cenário de cassação, como o sempre irmão de Gilson de Souza, pré-candidato à Prefeitura. 

Os contrários

São contrários à cassação de Alexandre, os vereadores Donizete da Farmácia (PSDB), Josivaldo Bahia (PTN), Laercinho (PMDB) e Cordeiro (PSB). 

Dos quatro, apenas Donizete da Farmácia e Laercinho votaram contra a instalação da Comissão Processante. Laercinho é hoje o líder de governo na Câmara, quase uma voz solitária em defesa do prefeito. 

Josivaldo e Cordeiro – que votaram favoravelmente à CP – vivem situações direcionadas mais pelo momento político do que propriamente baseadas no relacionamento que tiveram com a administração Alexandre. 

Cordeiro ainda é balizado por um virtual acordo entre seu partido o PSB, do Dr. Ubali, com o PMDB do vice Fernando Baldochi. 

A decisão

Dez dos 15 votos da Câmara decidem o futuro de Alexandre Ferreira em sessão especial e aberta ao público, no Plenário da Câmara, a partir das 17h. 

O prefeito é acusado de prorrogar de forma ilegal o contrato com o ICV (Instituto Ciências da Vida), para os serviços de urgência nos prontos-socorros de Franca; de não fornecer documentos para a comissão e de ser omisso na fiscalização do trabalho do ICV, que teria cometido diversas irregularidades, como a contratação de falsos médicos.


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