Coordenadora do CAPS Florescer, mantido pela Prefeitura e administrado pelo Allan Kardec, alerta para sintomas em crianças, adultos e idosos
Isabela Moherdaui é psicóloga e coordenadora do CAPS Florescer, em Franca
Setembro é o mês de conscientização sobre a importância da saúde mental e da prevenção ao suicídio. A campanha Setembro Amarelo reforça que falar sobre o tema pode salvar vidas.
A coordenadora do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) III Florescer, Isabela Cintra Moherdaui, destaca que identificar os sinais da depressão é fundamental para oferecer apoio a quem mais precisa.
O CAPS Florescer é mantido pela Prefeitura de Franca e administrado pela Fundação Allan Kardec.
O que diz a especialista
Segundo a especialista, mudanças de comportamento são os primeiros sinais de alerta.
“A pessoa em sofrimento mental tende a se isolar, perde o interesse por atividades que antes gostava, apresenta alterações no sono, no apetite e na concentração. Muitas vezes, ela não percebe que está doente, e por isso a família precisa estar atenta”, explica.
Isabela lembra que ainda existe muito preconceito em torno da saúde mental, o que atrasa a procura por tratamento.
“Infelizmente, muitos ainda acreditam que depressão é frescura, falta de fé ou preguiça. Mas estamos falando de uma doença séria, que precisa ser tratada com acompanhamento profissional. E conversar apenas com amigos não substitui o cuidado técnico e especializado”, reforça.
Saúde mental em todas as idades
A depressão não atinge apenas os adultos. Crianças e adolescentes também apresentam sinais que não devem ser ignorados.
“Isolamento, agressividade, dificuldades escolares e problemas de relacionamento são indicativos de que algo não vai bem. Quanto antes a criança ou o jovem tiver acompanhamento, maiores as chances de recuperação”, orienta.
Entre as formas de apoio, a coordenadora destaca a importância de uma rotina estruturada, redução do uso excessivo de telas, estímulo a atividades físicas, convivência familiar e escuta ativa sem julgamentos.
Os idosos também estão vulneráveis a quadros de depressão, especialmente diante de perdas, luto, limitações físicas ou isolamento.
“É fundamental oferecer companhia, respeitar a autonomia e incluir o idoso em decisões e atividades do dia a dia. O protagonismo e o sentimento de pertencimento são fundamentais para a saúde mental na velhice”, salienta Isabela.
Apoio gratuito e humanizado
A coordenadora reforça que existem serviços gratuitos de acolhimento em saúde mental. Em Franca, a Prefeitura mantém o CAPS e, em parceria com a Fundação Allan Kardec, vem oferecendo atendimento multiprofissional, oficinas terapêuticas e suporte contínuo.
“O CAPS é um serviço de portas abertas. Não é preciso encaminhamento. Basta procurar, que a pessoa será acolhida por uma equipe preparada para escutar e ajudar”, completa.
Além disso, a população também pode contar com o CVV – Centro de Valorização da Vida (188, disponível 24 horas), as Unidades Básicas de Saúde e os serviços de emergência, como o Pronto-socorro Municipal.
“Assim como cuidamos da pressão alta ou da diabetes, precisamos cuidar da mente. Buscar ajuda profissional é um ato de coragem e pode transformar vidas”, finaliza a especialista.
SERVIÇO
CAPS III Florescer
Rua da Concórdia, 4.881, Parque dos Pinhais – Franca/SP
Funcionamento de portas abertas, sem necessidade de encaminhamento. O local funciona 24 horas por dia, com leitos de retaguarda noturna, mas o atendimento ao público é feito em horário comercial.
CAPS AD III Renascer (Álcool e Drogas)
Rua Cavalheiro Petráglia, 81, Vila Santos Dumont – Franca/SP
Atendimento: 24 horas por dia, todos os dias, inclusive feriados.