Sapateiros de Jaú vão para acordo salarial. Em Franca negociação empacou

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 8 de setembro de 2017 às 10:41
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:20
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Oito meses depois do início das conversas, Sindifranca e Sapateiros ainda não acordaram

​Depois dos Sapateiros de Birigui (SP) chegou a vez dos trabalhadores das fábricas de sapatos de Jaú caminharem para o acordo salarial 2017-2018, enquanto em Franca as negociações continuam paradas. 

Em Franca, de um lado o Sindifranca (que congrega os patrões) alega que os industriais não devem fechar acordos individuais, enquanto que o Sindicato dos Sapateiros insiste em procurar fábrica por fábrica tentando o reajuste que deve ter efeito retroativo a 1º de fevereiro, data-base da categoria. 

Veja o Comunicado divulgado em maio pelo Sindifranca, pedindo aos calçadistas que não fechem acordos individuais: 

COMUNICADO | Negociação Salarial (10/0/2-17)
Prezado calçadista.
Conforme informado anteriormente, a Assembleia Geral convocada no dia 11/04/2017 decidiu por unanimidade, que o valor do reajuste a ser concedido aos trabalhadores nas indústrias de calçados de Franca/SP para o ano de 2017 é de 4,69%, o que corresponde ao INPC acumulado de março/2016 a fevereiro/2017. Percentual aplicável de forma linear ao piso da categoria, à PLR e ao abono escolar.

O Sindicato dos Sapateiros tem divulgado que teria fechado acordos individuais com algumas fábricas da cidade. No entanto, até o momento nenhuma documentação nesse sentido foi apresentada ao Sindifranca nem ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Lembramos que o Sindifranca não encerrou as negociações como tem sido veiculado e alertamos novamente as empresas para que aguardem o desfecho das negociações e não fechem acordos individuais, pois isso quebra a união das empresas e prejudica o processo negocial.

O Sindifranca já solicitou uma reunião de mediação junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, para darmos continuidade às negociações.

Por fim, pedimos a todos para que mantenham a tranquilidade e orientem os funcionários quanto ao andamento real do processo negocial salarial.

O gestor de Recursos Humanos do Sindifranca, Lázaro Reinaldi, e o Departamento Jurídico da entidade encontram-se à disposição para esclarecer eventuais dúvidas.

AO SETOR CALÇADISTA DE FRANCA
INFORME NEGOCIAÇÕES SALARIAIS DE 2017

O Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, SINDIFRANCA, informa em caráter de URGÊNCIA a todo o setor que as negociações salariais para o ano de 2017/2018, NÃO foram encerradas, sendo certo que ambos os sindicatos, tanto o patronal como o dos trabalhadores ainda continuam as tratativas com objetivo de assinar a convenção coletiva de trabalho.

O SINDIFRANCA luta incansavelmente para que o reajuste atenda ao setor.
É certo, ainda, que pensando nos trabalhadores, desde o início das negociações as empresas concederam à categoria o índice de 4,69%, o qual corresponde a inflação do período de março/2016 a fevereiro/2017, INPC-IBGE, índice este aplicável linearmente. Sendo inclusive autorizado o pagamento das horas relativas à Participação nos Lucros e Resultados a todo o setor.

Todavia, é preciso que o aumento seja concedido dentro da realidade de nossas fábricas.

Há que se deixar claro que a indústria calçadista de Franca passa por um momento de cautela, uma vez que a crise econômica intensificada pela crise política acarretou forte impacto nas vendas de calçados, e a perspectiva para o ano de 2017 é de tentativa de recuperação de mercado, não há perspectiva de crescimento. Assim, o momento é de assegurar postos de trabalho, EMPREGO.

Em razão disso, ALERTAMOS, ao setor para a importância de esclarecer aos colaboradores a real situação econômica. Além disso, é preciso união entre os empresários, e esclarecer que qualquer reajuste acima desse patamar põe em cheque a própria sobrevivência do setor, sobretudo, neste momento em que o Governo Federal reonerou a folha de pagamento.

Para mais detalhes o SINDIFRANCA colaca a disposição de todos o departamento de RH e o departamento jurídico que poderão esclarecer todas e quaisquer dúvidas. 

Após oito mesas de negociação, os trabalhadores calçadistas de Jaú se reúnem neste domingo (10/09) em assembleia para decidir se aceitam ou não a proposta patronal para a campanha salarial deste ano. 

Em jogo estão os ganhos de 4,7 mil funcionários – uma das maiores categorias do Município de Jaú

A discussão sobre o reajuste em 2017 foi considerada difícil, tendo em vista a falta de proposta consistente para o aumento dos vencimentos dos calçadistas. Sem progresso, foi cogitado plano de paralisação de uma hora por dia em todas as empresas.

Atualmente, o piso é de R$ 1 mil. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Jaú, Miro Jacintho, a assembleia de domingo vai discutir a reposição inflacionária (2,56%) e ganho real – cujo porcentual não pode ser antecipado.

Propostas sociais também serão apresentadas. Uma delas diz respeito à aceitação de atestados médicos para trabalhadores que precisam se ausentar por questões de saúde. 

Atualmente, a falta é descontada do valor da cesta básica do empregado. Caso o novo modelo seja aprovado, as empresas deverão aceitar o atestado ou justificar a não aceitação por meio de um segundo médico ligado à indústria.

A campanha salarial complicada coincide com grande desaquecimento do setor industrial, com impacto no setor calçadista, que chegou a ter 12 mil funcionários registrados em Jaú. 

A quantidade caiu a um terço disso, distribuído em aproximadamente 300 fábricas de pequeno, médio e grande portes.

O presidente do sindicato critica a condução das negociações. “Os patrões não participaram das assembleias, mandaram representantes da Fiesp. Na minha gestão, com certeza foi a campanha mais tensa”, relata o dirigente.

Conjuntura

O presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú (Sindicalçados), Caetano Bianco Neto, afirma que o momento econômico e as consequências da reforma trabalhista levaram incertezas para as mesas de acordo.

“A melhoria foi muito modesta, podemos dizer que ‘parou de piorar’, mas não houve ainda uma retomada substancial. Na campanha salarial olhamos para o retrovisor, que é a inflação, mas também temos que pensar no futuro”, argumenta Bianco Neto.


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