Picos de glicose afetam saúde do cérebro; saiba como com explicação de especialista

  • Dayse Cruz
  • Publicado em 11 de março de 2026 às 19:30
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Segundo o médico, a elevação rápida e frequente da glicose está associada a maior risco de doença cerebrovascular, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico

A elevação rápida e frequente da glicose está associada a maior risco de doença cerebrovascular, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico (Foto Arquivo)

 

A glicose é responsável por fornecer energia para as células e órgãos do corpo. Entretanto, quando o açúcar no sangue “sobe” rapidamente na corrente sanguínea, ocorrem os chamados picos glicêmicos.

Repetidamente, essa elevação pode prejudicar o funcionamento do cérebro, conforme explica o neurocirurgião Fernando Gomes.

Professor livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o médico esclarece que o cérebro depende de glicose como “principal substrato magnético”, mas isso requer estabilidade metabólica, o que não há ao longo dos picos de glicemia.

Reação química negativa

O especialista destaca: “As elevações rápidas de glicemia aumentam a produção de espécies reativas de oxigênio, ativam vias inflamatórias e favorecem a formação de produtos finais de glicação avançada, reação química em que o excesso de açúcar se liga a proteínas, como colágeno e elastina.”

De acordo com Fernando, esses mecanismos promovem disfunção endotelial, reduzem a biodisponibilidade de óxido nítrico e comprometem a microcirculação no cérebro.

O neurocirurgião acrescenta a respeito da glicose elevada aguda ter o potencial de alterar a sinalização da insulina no sistema nervoso central, interferindo na plasticidade sináptica, especialmente no hipocampo, estrutura descrita pelo médico como “essencial” para a memória e ao aprendizado.

“O resultado é pior eficiência metabólica neuronal e redução transitória do desempenho cognitivo”, frisa o especialista.

Segundo o médico, a elevação rápida e frequente da glicose está associada a maior risco de doença cerebrovascular, incluindo o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. “Isso decorre da disfunção endotelial e aterosclerose, que são as placas de gordura no interior das artérias, acelerada”, sustenta.

Fonte: Metrópoles


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