Criança deu entrada no hospital por ingerir água sanitária; mesma situação já havia sido registrada
Uma crueldade. Assim pode ser definida a atitude de uma mulher de 20 anos, acusada de tentar matar a própria filha de 3 anos. O crime que aconteceu em Mongaguá, no litoral de São Paulo, teria sido motivado como uma tentativa da suspeita de reatar com o ex-marido.
De acordo com a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, Alessandra Aparecida Tiritan de Souza, a mãe da criança deu entrada no hospital na última segunda-feira, 13, dizendo que a filha havia ingerido água sanitária por acidente.
Três dias depois, na noite de quinta-feira, 16, NLVS acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), relatando que a filha tinha ingerido o líquido novamente, também de forma acidental.
“Na segunda internação por conta do mesmo acidente, o caso acabou chamando a atenção dos enfermeiros, que acionaram a Polícia Militar, que trouxe a ocorrência até à DDM e, de início, percebemos que a história não se encaixava”, explica a delegada.
Durante a manhã de sexta-feira, 17, a delegada foi até a residência onde teria acontecido o acidente, acompanhada de investigadores, representantes do Conselho Tutelar e da mãe.
A delegada percebeu durante a visita que o balde onde a criança teria tido contato com água sanitária ficava sobre uma prateleira, numa altura que impossibilitava o acesso da criança. Com a suspeita da versão da mãe, a delegada passou a ouvir o depoimento de testemunhas do caso, para tentar entender o que havia acontecido. Dentre as testemunhas ouvida pela delegada, estava uma vizinha da mãe da criança.
O DESENROLAR DOS FATOS
Segundo a investigação, desde a primeira internação da criança, na segunda-feira, NLVS utilizava o celular da vizinha para manter contato com ex-marido.
“Nas mensagens, ela se passava pela vizinha a todo momento, pois o marido tinha cortado o contato com ela. A todo momento NLVS deixava a entender que mãe e filha precisavam do ex-marido de volta para casa”, explica a delegada.
No incidente de quinta-feira, antes mesmo de acionar o SAMU, NLVS mandou mensagem para o marido, ainda se passando pela vizinha, afirmando que a filha havia morrido e que o ex-marido precisava reconhecer o corpo.
A delegada responsável pelo caso contou também que a suspeita deletou todas as mensagens do celular e a polícia só teve acesso às declarações graças a ajuda do pai da criança.
No hospital, a criança disse à avó que foi obrigada pela mãe a beber um copo com água sanitária misturada com água potável.
A Polícia Civil já pediu a prisão preventiva de NLVS, que segue detida à disposição da Justiça. Ela está presa na cadeia feminina anexa ao 2º Distrito Policial de São Vicente e a Polícia Civil já pediu a sua prisão preventiva.