Especialista explica porque a prática de misturar produtos pode colocar a saúde em risco e ensina como limpar a casa com segurança
Nem toda combinação de produtos de limpeza torna a faxina mais eficiente. Em alguns casos a reação química pode liberar gases capazes de provocar intoxicação, queimaduras nas vias aéreas e, em casos mais graves, danos permanentes aos pulmões.
Apesar de serem vendidos para uso cotidiano, esses produtos são formulados para atuar de forma isolada e conforme as orientações do fabricante.
Quando utilizados de maneira inadequada, podem dar origem a substâncias com potencial tóxico, alerta Marcella Lagden, professora de Farmácia do IBMR, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima.
O que diz a especialista
“O menor dos problemas é a geração de produtos inativos, quando um anula a ação do outro. O risco real é a combinação formar uma nova substância que pode ser altamente tóxica, corrosiva ou até explosiva. Essas misturas podem trazer consequências graves para a saúde, principalmente de crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e animais de estimação”, explica.
Entre os casos mais preocupantes está a combinação de água sanitária com desinfetantes. A reação libera cloramina, um gás que pode provocar desde desconfortos leves até quadros graves de intoxicação.
“Muitas pessoas acreditam que misturar água sanitária com desinfetante aumenta o poder de limpeza, mas isso é um erro. O hipoclorito de sódio presente na água sanitária reage com a amônia do desinfetante e forma cloramina. A inalação desse gás pode provocar irritação, queimaduras nas vias aéreas e intoxicação grave, especialmente em ambientes fechados e pouco ventilados”, alerta.
Primeiros sinais
Outra combinação que deve ser evitada é a de água sanitária com vinagre. Nesse caso, a reação libera gás cloro, que afeta principalmente os olhos e o sistema respiratório.
“Mesmo em pequenas quantidades, ele pode causar ardência, dificuldade para respirar e queimaduras. Em exposições mais intensas, pode provocar danos irreversíveis aos pulmões”, destaca.
Os primeiros sinais costumam aparecer rapidamente após a exposição e incluem falta de ar, tosse intensa, ardência ao respirar, sensação de sufocamento, tontura, dor de cabeça, olhos vermelhos e lacrimejantes, além de náuseas e vômitos.
Crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e animais de estimação estão entre os grupos mais vulneráveis. Segundo a especialista, crianças possuem o sistema respiratório ainda em desenvolvimento, enquanto idosos apresentam menor capacidade de eliminar toxinas.
Orientação
Já pessoas com doenças respiratórias podem sofrer crises mesmo após uma pequena exposição aos gases. Os animais de estimação também merecem atenção especial por permanecerem mais próximos ao chão, onde essas substâncias tendem a se concentrar.
Ao perceber qualquer sinal de intoxicação, a recomendação é interromper imediatamente a exposição, procurar um ambiente aberto e bem ventilado e buscar atendimento médico o quanto antes.
“Se houver contato com a pele ou os olhos, lave imediatamente a região com água corrente por alguns minutos. Caso o produto tenha sido ingerido, nunca provoque vômito, pois isso pode causar queimaduras no esôfago, na garganta e na boca.”
A especialista orienta ainda que a embalagem dos produtos utilizados seja levada ao serviço de saúde, pois isso facilita a identificação da substância envolvida e contribui para um atendimento mais rápido e adequado.
Para evitar acidentes, a recomendação é simples: nunca misture produtos de limpeza. Caso seja necessário utilizar mais de um na mesma superfície, aplique um de cada vez e enxágue bem antes da próxima aplicação.
Também é importante manter portas e janelas abertas durante a faxina, seguir as orientações do rótulo e utilizar equipamentos de proteção, como luvas de borracha e calçados fechados.