Dados do Ministério da Previdência mostram recorde de afastamentos por saúde mental em 2025, com mais de 500 mil benefícios concedidos
Entre as mais de duas mil profissões em que os trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por problemas de saúde mental está a categoria dos operários que atuam na cadeia coureiro-calçadista.
No caso específico da maior categoria trabalhadora de Franca, a da cadeia coureiro-calçadista tem um número elevado de afastamentos.
Segundo o ranking divulgado pelo portal G1, mais de 10 mil trabalhadores da cadeia coureiro-calçadista estão afastados em todo o Brasil para tratar problemas de saúde mental.
Veja as funções com trabalhadores afastados
De acordo com os números, são 4.832 sapateiros polivalentes;
2.532 preparadores de calçados;
1.176 operários que trabalham no acabamento de calçado;
607 operários polivalentes em curtimento de couros e peles;
478 cortadores de calçados;
385 montadores.
Sem especificar outras funções dentro das fábricas de calçados, esses números ultrapassam 10 mil trabalhadores na cadeia de calçados e couros com afastamento médico por questões de saúde mental.
Topo da lista
No topo da lista aparecem ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório — trabalhadores que atendem o público, mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.
Em 2025, mais de 500 mil pessoas precisaram se afastar do trabalho por motivos de saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
É a segunda vez consecutiva que o país bate esse recorde, após já ter alcançado a maior marca da década em 2024.
O levantamento foi elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base nos dados do INSS. Ele considera o detalhamento mais recente disponível, que considera o período entre 2012 e 2024.
Motivos
Segundo especialistas, as profissões mais afetadas têm em comum contratos frágeis, pressão por metas, jornadas longas e maior exposição a riscos, como a violência urbana, caso de motoristas e vigilantes.
Especialistas apontam que, de forma geral, os trabalhadores vêm sendo afetados por uma mudança estrutural e citam:
Relações precárias de trabalho, com contratos precários, temporários e alta rotatividade;
Medo do desemprego, que amplia a insegurança, reforçador para doenças de saúde mental;
Profissões ligadas a metas de desempenho, com remuneração atrelada a resultados e oscilações do mercado;
Volume excessivo de trabalho e jornadas prolongadas, muitas vezes sem reposição adequada de pessoal;
Exposição à violência urbana na atividade do trabalho.