Acúmulo simétrico de gordura resistente a dietas, dor e sensação de peso nas pernas exigem diagnóstico e tratamento personalizados
O lipedema interfere de forma profunda na qualidade de vida da mulher: há acúmulo de gordura que não cede, dor, sensação de peso, inchaço que piora ao longo do dia (Foto Freepik)
Quando se fala desse assunto muitas pessoas confundem com celulite, sobrepeso, mas a verdade é que o lipedema é uma doença silenciosa e pouco conhecida.
O lipedema se caracteriza por ser uma condição crônica que afeta principalmente mulheres, caracterizada pelo acúmulo simétrico e desproporcional de gordura, sobretudo nos membros inferiores como coxas, quadris e pernas e, em alguns casos, nos braços.
Diferencia-se de outras condições comumente confundidas, como obesidade ou linfedema.
Na obesidade, a gordura tende a reduzir em resposta à dieta e ao exercício; no lipedema, a gordura não responde adequadamente a esses métodos.
Já o linfedema envolve acúmulo de líquido e costuma afetar um membro único, enquanto o lipedema envolve tecido adiposo alterado, simétrico.
“O lipedema interfere de forma profunda na qualidade de vida da mulher: há acúmulo de gordura que não cede, dor, sensação de peso, inchaço que piora ao longo do dia. Reconhecer que não se trata apenas de estética ou “gordura difícil” é o primeiro passo”, afirma Rogy Tokarski, diretora da Farmacotécnica.
Sintomas
Entre os sintomas mais comuns estão:
– Acúmulo simétrico de gordura em pernas, quadris, coxas e às vezes braços;
– Dor, sensibilidade ao toque, hematomas fáceis;
– Sensação de peso e desconforto nos membros afetados;
– Inchaço que tende a se agravar ao longo do dia; diferença visível entre o tronco (normalmente mais fino) e os membros aumentados.
Uma das dificuldades no enfrentamento da doença é o diagnóstico tardio.
O lipedema muitas vezes é confundido com obesidade ou celulite, e não há exames laboratoriais específicos, o diagnóstico é clínico, baseado em história e exame físico.
Como a manipulação farmacêutica pode colaborar
Na Farmacotécnica, a manipulação farmacêutica se apresenta como recurso para ajustar tratamentos às particularidades de cada mulher.
“Na manipulação, conseguimos combinar ativos orais e tópicos, ajustar doses, adaptar formas de apresentação, cremes, geles transdérmicos, cápsulas ou sachês, conforme o perfil da paciente, o grau do lipedema e os sintomas predominantes”, explica Rogy.
Entre os produtos usados para aliviar os sintomas do lipedema estão substâncias que ajudam a reduzir a gordura localizada, plantas com ação anti-inflamatória e suplementos que estimulam a drenagem do corpo, além de cremes e loções que ajudam a diminuir o inchaço.
“Esse tipo de suplemento pode ajudar a reduzir a sensação de peso nas pernas, o inchaço e a fragilidade dos vasos, sintomas muito comuns entre as mulheres com lipedema”, explica Rogy.
A importância de hábitos integrados
Além da farmacoterapia e da manipulação personalizada, entre os ativos utilizados no manejo dos sintomas estão lipolíticos (para ajudar a “queimar” gordura localizada), fitoterápicos anti-inflamatórios e suplementos que favorecem drenagem linfática.
Exemplos citados pela especialista incluem curqfen, resvitech, cactin e centella asiática, bem como protocolos tópicos que favorecem redução da retenção hídrica.
Outro ativo que chama atenção é o Venolin®, um fitocomplexo com ação vasoprotetora, antioxidante e anti‐inflamatória, que pode contribuir com a circulação venosa e linfática, pontos críticos no lipedema.
“Esse tipo de suplemento pode ajudar a aliviar a sensação de peso, o inchaço e a fragilidade vascular que tantas mulheres relatam”, afirma Rogy.
Tratamento
Uma das barreiras para um tratamento efetivo é justamente o “desconhecimento” da doença, tanto entre profissionais de saúde quanto no público geral.
A Lipedema Foundation aponta que o lipedema é frequentemente mal diagnosticado ou tratado como obesidade simples, o que atrasa intervenções adequadas.
O lipedema exige atenção especializada e personalizada. A manipulação farmacêutica surge como uma alternativa relevante, oferecendo tratamentos adaptados, combinados, e com formatos que dialogam com as particularidades de cada mulher.
Ainda assim, o sucesso depende de diagnóstico precoce, acompanhamento multidisciplinar e adesão a protocolos integrados que combinam terapia personalizada com mudanças de estilo de vida.