Inteligência emocional: por que é tão difícil controlar os sentimentos?

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 3 de setembro de 2025 às 21:00
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A habilidade conhecida como inteligência emocional, que envolve reconhecer, compreender e regular sentimentos, parece ter entrado em crise e passou a se tornar cada vez mais um “artigo de luxo”

A habilidade conhecida como inteligência emocional parece ter entrado em crise e passou a se tornar cada vez mais um “artigo de luxo” (Foto Arquivo)

 

Cada vez mais pessoas relatam dificuldade em lidar com emoções, seja no trabalho, nas relações pessoais ou diante das pressões do dia a dia.

A habilidade conhecida como inteligência emocional, que envolve reconhecer, compreender e regular sentimentos, parece ter entrado em crise e passou a se tornar cada vez mais um “artigo de luxo”, mas por que?

Para a auditora e pesquisadora do CPAH, Flávia Ceccato, isso não é por acaso. “Vivemos um momento histórico de excesso, excesso de redes sociais, excesso de informações, de estímulos externos e, ao mesmo tempo, um esvaziamento das relações significativas”.

“Isso compromete a forma como nos conectamos conosco mesmos e com os outros”, explica a especialista.

Inteligência emocional x inteligência existencial

A inteligência existencial, conceito proposto por Howard Gardner, vai além da cognição tradicional e envolve a capacidade de refletir sobre propósito, significado e existência.

Diferente da inteligência emocional, que foca no reconhecimento e gestão das emoções, a existencial aprofunda a compreensão sobre quem somos e por que estamos aqui.

Segundo Gardner, ela conecta experiências a escolhas conscientes, funcionando como uma bússola para decisões complexas.

Pesquisadores atuais, como Flávia Ceccato em seu livro “Descobrindo a Inteligência Existencial: Ferramentas, Insights e Implicações”, ampliam essa visão, propondo critérios objetivos e novas abordagens em neurociência para estudar essa dimensão fundamental da mente humana.

Mais sobrecarga do que podemos suportar

De acordo com ela, a inteligência emocional é construída a partir da autopercepção, empatia e capacidade de regulação, mas quando a mente está constantemente saturada por notificações e comparações sociais, essas competências enfraquecem.

“O cérebro humano não foi projetado para lidar com tanta sobrecarga emocional e cognitiva. Esse fluxo contínuo gera ansiedade, impulsividade e uma sensação constante de inadequação, um vazio existencial”, acrescenta.

Além do impacto das redes sociais, a pesquisadora aponta outro fator: a falta de espaço para desenvolver habilidades socioemocionais.

“As pessoas priorizam conquistas externas e resultados imediatos, mas não investem em autoconhecimento, sem isso, fica impossível gerenciar sentimentos de forma saudável”, alerta.

Recuperando o equilíbrio

Para recuperar o equilíbrio, Flávia Ceccato sugere práticas simples, como limitar o tempo online, cultivar conversas significativas e investir em técnicas de autorregulação, como respiração consciente, mindfulness e o suporte de um profissional da saúde mental.

“Inteligência emocional não é inata, é treinável. O problema é que estamos treinando justamente o oposto: reatividade e dispersão”, conclui.

Fonte: Notícias ao Minuto