Comer na praia: alerta sobre os riscos invisíveis dos alimentos no calor

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 11:30
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Exposição ao sol, falta de refrigeração e higiene inadequada aumentam o risco de intoxicação alimentar no verão; especialista lista o que levar, o que evitar e como proteger as crianças

O consumo de alimentos expostos ao calor por tempo prolongado aumenta significativamente o risco de intoxicação alimentar (Foto iStock)

 

Sol, praia, piscina e passeios ao ar livre fazem parte da rotina de férias, mas um detalhe muitas vezes negligenciado pode transformar o lazer em dor de cabeça ou em atendimento de emergência.

O consumo de alimentos expostos ao calor por tempo prolongado aumenta significativamente o risco de intoxicação alimentar, especialmente em crianças.

Segundo Renata Riciati Nutricionista materno-infantil, especialista em seletividade alimentar e comportamento alimentar infantil, o perigo não está apenas em alimentos visivelmente estragados.

“Entre 5 °C e 60 °C ocorre a chamada zona de perigo, em que bactérias se multiplicam rapidamente, mesmo sem alterar cheiro ou sabor”, explica.

Microrganismos e suas consequências

Entre os microrganismos mais comuns nesse cenário estão Salmonella, E. coli, Staphylococcus aureus e Bacillus cereus, capazes de causar diarreia, vômitos, febre e desidratação quadro que pode evoluir de forma grave em bebês e crianças menores de cinco anos.

O sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, o que torna as crianças mais vulneráveis às doenças transmitidas por alimentos.

“Em adultos, uma intoxicação pode ser leve, mas em crianças pode levar à desidratação rápida, queda de pressão e até internação hospitalar”, alerta Renata.

Além disso, muitos alimentos consumidos por crianças, como papinhas, laticínios e preparações caseiras, são mais perecíveis e não contêm conservantes, aumentando o risco quando ficam fora da refrigeração.

O que levar para a praia ou passeios no calor

Alimentos mais seguros

Opções secas ou pouco perecíveis são as mais indicadas quando o lanche ficará fora da geladeira:

– Pães simples (francês, integral, de forma)
– Torradas e biscoitos simples, sem recheio
– Bolos simples, sem cobertura ou recheio cremoso
– Castanhas e oleaginosas (para crianças maiores, sem risco de engasgo)
– Barrinhas de cereais simples
Duração segura: até 4–6 horas, em local fresco e seco.

Frutas

Frutas inteiras como maçã, pera, banana, tangerina e uvas são mais seguras

Inteiras: até 6 horas | Cortadas: no máximo 2 horas

Alimentos refrigerados (com cuidado)

– Iogurte
– Queijos
– Sanduíches simples (pão + queijo)
Devem ser mantidos em bolsa térmica com gelo reutilizável

Até 2–4 horas bem refrigerados | Sem refrigeração: máximo de 1–2 horas

Alimentos que devem ser evitados no calor

Especialmente fora da geladeira:

– Maionese e patês
– Carnes, frango e peixe
– Ovos e preparações com ovos crus ou malcozidos
– Leite e derivados
– Papinhas caseiras sem conservação térmica
– Molhos e recheios cremosos
– Arroz, massas e purês deixados fora da geladeira
– Saladas cruas, salada de frutas e sucos naturais
– Frutos do mar

“Para crianças pequenas, não vale o risco. Se não houver garantia de conservação adequada, o ideal é evitar”, reforça a nutricionista.

Como acondicionar corretamente os alimentos

Bolsa térmica

– Boa vedação
– Dois ou mais gelos reutilizáveis
– Alimentos já devem ir frios (nunca quentes)
– Recipientes adequados

– Potes limpos, com tampa firme
– Separar alimentos secos dos úmidos
– Evitar papel-alumínio em alimentos ácidos

Cuidados extras

– Manter a lancheira fora do sol
– Nunca deixar dentro do carro
– Consumir o quanto antes

Comer em barracas e ambulantes: atenção redobrada

O consumo de alimentos vendidos em praias e piscinas exige cuidado, principalmente quando há crianças envolvidas.

Principais riscos

– Falta de controle de temperatura
– Higiene inadequada
– Exposição a insetos, poeira e areia
– Origem e conservação desconhecidas

O que observar antes de comprar

Prefira locais que:

– Mantenham alimentos cobertos
– Utilizem caixas térmicas fechadas
– Usem luvas ou pegadores
– Apresentem boa higiene geral

Evite se:

– O alimento estiver morno
– Houver moscas sobre os produtos
– O vendedor manipular dinheiro e comida ao mesmo tempo

Opções mais seguras

– Água mineral lacrada
– Bebidas industrializadas fechadas
– Milho cozido bem quente
– Tapioca feita na hora e bem passada
– Picolés industrializados com embalagem intacta

Alimentos mais arriscados (especialmente para crianças)

– Sanduíches com maionese
– Cachorro-quente exposto
– Queijos, camarão e peixe
– Salada de frutas
– Açaí não industrializado
– Sucos naturais com gelo de origem desconhecida

“No verão, o cuidado com a alimentação precisa ser redobrado. Levar lanches simples de casa, observar a conservação e evitar alimentos de risco são atitudes que protegem a saúde, principalmente das crianças”, conclui Renata Riciati.

Fonte: Notícias ao Minuto


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