Apoio à quarentena como forma de evitar a disseminação do covid-19 sofreu uma queda nos últimos dias
Apoiadores do presidente da República Jair Bolsonaro desafiaram a regra de isolamento social contra o coronavírus recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para protestar em carreata neste domingo, 19, em todo o Brasil.
A manifestação também aconteceu em Franca, reunindo grande número de pessoas. E todas querem a mesma coisa: a reabertura do setor comercial, que segue fechado por decisão do governador João Doria, para evitar a disseminação do novo coronavírus.
Bolsonaro tem negado a gravidade da pandemia, promovendo passeios e aglomerações em Brasília, ao contrário do que recomenda a OMS. O presidente demitiu seu então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por discordar de seu posicionamento técnico.
Além da gestão Bolsonaro, outros governos que ignoram a seriedade da doença são Turcomenistão, Nicarágua e Belarus.
Em Franca, os veículos saíram da Avenida Presidente Vargas e percorreram as principais ruas da cidade com buzinaço para chamar a atenção da população sobre a importância de se retomar as atividades econômicas na cidade o quanto antes.
De acordo com o balanço, o índice de letalidade do novo vírus, em relação ao total de casos, está em 6,4%. No dia anterior eram 33.682 casos e 2.141 mortes.
O ministério, porém, afirma que a tendência é que o número real de casos seja maior, já que apenas pacientes internados em hospitais fazem testes e há casos que ainda esperam confirmação.
São Paulo continua sendo o estado mais afetado pela pandemia. Já são 991 mortes pela doença e 13.894 casos confirmados.
O Rio de Janeiro é o segundo com mais casos e mortes em decorrência da Covid-19. São 387 óbitos e 4.543 com o teste positivo para Sars-CoV-2. Em relação ao número de mortes, aparecem na sequência Pernambuco, com 205, Ceará, com 176 e Amazonas, com 161.
Depois de São Paulo e do Rio de Janeiro, os estados com maior número de casos confirmados são Ceará, com 3034 , Pernambuco, com 2.193, e Amazonas, com 1897.
O apoio à quarentena como forma de evitar a disseminação do novo coronavírus sofreu uma queda nas duas últimas semanas, mas ainda é majoritária entre os brasileiros.
Segundo o Datafolha, são 68% aqueles que dizem acreditar que ficar em casa para conter o vírus é mais importante, ainda que isso prejudique a economia e gere desemprego.
No levantamento anterior do instituto, feito de 1º a 3 de abril, eram 76%. A pesquisa atual ouviu 1.606 pessoas na sexta, 17, e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Essa queda não se reverteu integralmente em apoio à afirmação contrária, de que vale a pena acabar com isolamento social em nome da reativação econômica. O índice dos que concordam com isso oscilou positivamente de 18% para 22%, enquanto aqueles que não sabem foram de 6% para 10% no período.
O debate, visto por especialistas tanto em economia como em saúde como desfocado e politizado, tem pautado polêmicas envolvendo Jair Bolsonaro.
Depois de minimizar a gravidade da Covid-19, a comparando a uma “gripezinha”, o presidente passou a insistir no foco do impacto econômico das quarentenas.
No cálculo, está o temor de que a recessão que provavelmente seguirá a emergência sanitária do Sars-CoV-2 solape seu apoio em cerca de um terço do eleitorado.
Em oposição, governadores como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), assumiram a linha de seguir as recomendações internacionais de saúde, priorizando o isolamento.
O resultado é uma queda de braço que marca a organização do combate à pandemia no Brasil e já deixou vítimas políticas no caminho.
Luiz Henrique Mandetta perdeu o cargo de ministro da Saúde na quinta-feira, 16, entre outros motivos, por não concordar com as diretrizes de Bolsonaro sobre o isolamento social.
O Supremo Tribunal Federal interveio e decidiu na quarta, 15, que os estados e municípios têm liberdade para impor as restrições que decidirem durante a crise.
Isso contrariou o presidente Bolsonaro, que se queixou de estar de mãos atadas na questão. Ele queria editar decreto obrigando a reabertura do comércio. Manteve o tom na sexta-feira, 17, quando sugeriu que as pessoas desobedecessem as ordens locais.
Além disso, a maioria expressiva dos brasileiros, 79%, defende algum tipo de punição para pessoas que violem regras de quarentena devido ao novo coronavírus no país. Desses, contudo, apenas 3% acham que prisão seria uma sanção aceitável. Já multas têm apoio de 33% e advertências verbais, de 43%.
A aplicação de medidas restritivas de circulação de pessoas entrou no debate público na semana retrasada. O governador paulista, João Doria (PSDB), disse que poderia considerar até a detenção como recurso último caso a pandemia se agravasse.
Hoje, não há no país quarentena que impeça pessoas de ir à rua, apenas determinando o fechamento de comércio não essencial.
Doria foi acusado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro de arbítrio. O tucano recuou e não falou mais no tema. Na sexta-feira, 17, ele estendeu a quarentena paulista até 10 de maio, sem endurecer regras.
Para 18% dos ouvidos pelo Datafolha, os governos não deveriam ter direitos sobre a circulação das pessoas. Outros 3% não souberam responder.