Calor pode aumentar risco de casos de AVC, alerta médico

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 21:00
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Segundo especialista, uma série de fatores predispõem o ser humano ao AVC durante o verão

AVC é uma das doenças mais frequentes no mundo, altamente incapacitante e, em muitos casos, evitável com prevenção e atendimento rápido (Foto Arquivo)

 

O verão é um período crítico para o aumento dos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, fatores como calor excessivo, desidratação, alterações na pressão arterial, consumo de álcool e descuido com medicamentos elevam significativamente o risco.

O médico alerta que o AVC é uma das doenças mais frequentes no mundo, altamente incapacitante e, em muitos casos, evitável com prevenção e atendimento rápido.

Calor e desidratação favorecem a formação de coágulos

De acordo com o especialista, o calor intenso provoca uma desidratação natural do organismo, tornando o sangue mais espesso.

Esse aumento da viscosidade favorece a formação de coágulos, principal causa do AVC isquêmico, que representa cerca de 80% dos casos.

Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso cerebral, e o isquêmico, causado pela obstrução do fluxo sanguíneo.

No verão, a combinação entre calor e pouca ingestão de líquidos aumenta o risco do tipo mais comum.

Pressão arterial, arritmia e impacto no coração

Outro fator relevante é a queda da pressão arterial típica do verão. O calor provoca vasodilatação, o que pode levar a alterações no ritmo cardíaco, como a arritmia.

Essa condição favorece a formação de coágulos no coração, que podem migrar para o cérebro — destino de cerca de 30% do sangue bombeado pelo órgão.

Férias, álcool e descuido com a saúde

Durante o verão, muitas pessoas relaxam nos cuidados com a saúde. O aumento do consumo de bebida alcoólica intensifica a desidratação e eleva o risco de arritmias.

Além disso, o esquecimento de medicamentos de uso contínuo, especialmente para pressão arterial, também contribui para o aumento dos casos.

Doenças típicas da estação, como gastroenterite, diarreia, insolação e esforço físico excessivo, completam o cenário de risco.

Tabagismo e AVC em pessoas mais jovens

O tabagismo é apontado como uma das maiores causas externas de AVC. A nicotina compromete a elasticidade dos vasos sanguíneos, favorecendo tanto o AVC hemorrágico quanto o isquêmico.

Associado ao estilo de vida moderno e a doenças crônicas mal controladas, o fumo tem antecipado o AVC para pessoas com menos de 45 anos.

AVC é comum, grave e pode ser evitado

Segundo Maia, uma em cada seis pessoas terá AVC ao longo da vida. A doença é uma das principais causas de morte e incapacidade, com impacto direto nas famílias.

A prevenção passa por hábitos saudáveis, atividade física regular, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, uso correto de medicamentos e abandono do cigarro.

Atendimento rápido salva vidas

Hoje, o AVC tem tratamento. Medicamentos que dissolvem o coágulo podem ser aplicados até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Em casos específicos, o uso de cateter pode retirar o coágulo em até 24 horas.

Os principais sinais de alerta são: fraqueza ou paralisia súbita de um lado do corpo, fala enrolada, perda de visão, tontura intensa ou perda de consciência. Diante de qualquer sintoma, a orientação é clara: procure atendimento médico imediatamente.

Fonte: Notícias ao Minuto


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