Substâncias acumuladas nos galhos e folhas, sejam artificiais ou naturais, podem desencadear reações alérgicas, como tosse, espirros e irritação na pele
Popularmente, essa condição é chamada de síndrome da árvore de Natal e é, de fato, uma reação alérgica ao principal símbolo da festividade (Foto Freepik)
Com a chegada do Natal, é comum que as casas e ambientes em geral estejam enfeitados com luzinhas, bonecos de Papai Noel, presépios, festões e, é claro, a árvore de Natal.
No entanto, como esses objetos costumam ficar guardados por muito tempo, é normal que algumas pessoas tenham reações alérgicas após o contato com eles, como olhos vermelhos, espirros e coceiras.
Popularmente, essa condição é chamada de síndrome da árvore de Natal e é, de fato, uma reação alérgica ao principal símbolo da festividade.
“A árvore artificial, em si, não é ‘alergênica’, mas pode acumular substâncias que desencadeiam sintomas, especialmente, se ficou guardada por longos períodos. Nesse caso, pode estar contaminada com ácaros e/ou fungos”, explica Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).
Segundo a especialista, as causas mais comuns para essa reação alérgica são:
– Poeira doméstica acumulada nos galhos;
– Ácaros, que se alimentam dessa poeira;
– Mofo (fungos) que podem crescer quando a árvore é guardada em locais úmidos;
– Cheiros fortes de sprays decorativos ou aromatizantes usados no Natal.
Árvores de Natal com folhagens verdadeiras também podem causar irritação alérgica, principalmente em pessoas com rinite, asma ou sinusite.
Pólen residual, mofo, compostos aromáticos naturais, partículas liberadas ao cortar ou manusear os galhos são algumas das causas para essa reação.
Sintomas mais comuns
Os principais sintomas das reações alérgicas à arvore de Natal costumam incluir:
– Espirros;
– Coceira no nariz, olhos ou garganta;
– Nariz entupido ou escorrendo;
– Olhos irritados e lacrimejando;
– Tosse;
– Piora da asma, em casos mais sensíveis;
– Em pacientes com dermatites, pode haver piora dos sintomas e irritação na pele.
“É importante procurar um alergista quando os sintomas se repetem todos os anos, atrapalhando o dia a dia; se houver tosse persistente ou piora da asma; se a pessoa fica muito congesta ou precisa usar remédios por vários dias; se houver dúvida se é alergia ou outro problema respiratório, e em casos de crianças com dificuldade para respirar”, explica Fernandes.
“Se houver falta de ar ou chiado importante, procurar atendimento médico imediato”, alerta.
Como minimizar os efeitos?
Algumas medidas simples podem ajudar a minimizar os efeitos alérgicos causados por árvores de Natal. No caso das artificiais, é importante:
– Limpar os galhos e folhas com pano úmido antes de montar;
– Deixar a árvore ventilar ao ar livre por algumas horas;
– Evitar guardá-la em locais úmidos, como garagens e depósitos.
No caso das árvores naturais, vale:
– Sacudir ao ar livre antes de levá-la para dentro de casa;
– Lavar suavemente os galhos, se possível;
– Deixar secar completamente para evitar mofo.
Em qualquer modelo, também é importante evitar sprays com perfumes fortes e manter janelas abertas durante a montagem.
“Para quem tem alergias mais graves, uma boa estratégia é optar por árvores artificiais bem higienizadas e evitar folhagens naturais”, orienta Fernandes.
Cuidado com outras alergias durante o Natal
Além da alergia à árvore e outros enfeites de Natal, é importante tomar cuidado com outros itens que podem desencadear reações.
Quem possui alergia alimentar deve redobrar a atenção aos itens servidos na ceia, pois muitos pratos típicos costumam conter alérgenos, como amendoim, nozes, castanhas, frutos do mar, além do leite e ovo.
Entre as orientações da ASBAI, então:
– Avisar os anfitriões e chefs de restaurantes sobre as alergias e sua gravidade;
– Garantir pelo menos uma opção segura, levando um prato preparado por você;
– Ler o rótulo de alimentos industrializados;
– Verificar utensílios como talheres e pratos, para ter certeza de que não tiveram contato com o alérgeno;
– Ter à mão anti-histamínicos e auto-injetor de adrenalina, se for preciso.
Alergias respiratórias e na pele também podem ocorrer. Por isso, é fundamental manter o ambiente onde ocorrerá a festa bem arejado, evitar perfumes e aromatizantes fortes, fazer a lavagem nasal com soro fisiológico, usar roupas leves e de tecidos respiráveis, como algodão, beber bastante água e usar protetor solar, em caso de festejos ao ar livre.