Com as incertezas de como será a vida a partir de agora, tensão virou parte da rotina da maioria das pessoas
Ainda era março quando a quarentena começou. Três meses já se passaram e mesmo depois de tanto tempo o número de mortes e casos de coronavírus continua subindo.
Estados e municípios tentam relaxar a quarentena em uma tentativa de amenizar os prejuízos para a economia.
A tensão está alta e a crise de saúde virou política também. Tomemos fôlego: 2020 está só na metade.
As pessoas estão exaustas. O carisma do brasileiro perdeu lugar para o cansaço que nos ronda. Segundo a psicóloga Carla Poppa, cada um de nós expressa esse cansaço de um jeito.
Identifique o seu jeito de estar cansado: Para alguns, o cansaço diminui o limite de tolerância e deixa as pessoas mais irritadiças.
Para outros, a energia diminui e o humor fica mais deprimido. O cansaço também pode ser o gatilho para inseguranças que a pessoa já tinha, mas tocava o barco mesmo assim.
Está difícil para todo mundo: Em meio a tanta tensão, as pessoas quase se arrastam para tocar o barco.
Os mais reflexivos já fizeram todos os tipos de reflexão, os mais ordeiros já arrumaram os armários e botaram a faxina em dia, e os mais agitados já experimentaram a quietude.
Qual é a dica salvadora? A vida está pedindo mais do que coragem, como um dia disse Guimarães Rosa.
Em tempos de quarentena ela também pede criatividade, sugere Carla, que faz atendimentos psicoterapêuticos e é professora de gestalt terapia no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.
“A sensação de limite e a frustração ajudam no desenvolvimento da criatividade em qualquer fase da vida. Tentar pensar e colocar em prática novas maneiras de exercer sua profissão, de se relacionar com as pessoas, de cuidar da sua casa, por exemplo, é uma forma de dar um sentido para esse momento difícil, aprender com ele e, com isso, promover a nossa resiliência e tornar tudo mais suportável”, afirma Carla.
Para a psicóloga, é a criatividade que vai nos permitir, mais para frente, olhar para essa quarentena estendida e perceber esse período não foi um tempo pedido. Mas sim de mudanças e, em alguns casos, de crescimento.
Como as pessoas estão conseguindo lidar com esse momento? Tem gente resgatando interesses abandonados, como cozinhar ou costurar.
Outras pessoas estão fazendo terapia para ampliar seu repertório emocional e melhorar a qualidade das suas relações, principalmente com os filhos.
E há quem esteja concretizando mudanças, profissionais ou não, que levariam muito tempo para acontecer em uma situação normal, sem pandemia e todas as crises citadas no começo deste texto.
Em tempo: Carla destaca que esse é o processo mais comum entre as pessoas que continuaram trabalhando e que não foram afetadas diretamente pela doença.
Para quem precisa lidar com a perda, de familiares ou renda, ou os dois, o estresse provavelmente vai se manter por mais tempo até que a pessoa consiga se adaptar a sua nova realidade, diz a psicóloga.