Falta de apetite no idoso pode indicar doenças e afetar o cérebro; veja o que fazer

  • Dayse Cruz
  • Publicado em 21 de abril de 2026 às 21:00
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Especialista explica as principais causas da falta de apetite no idoso, os riscos para a saúde e dá orientações para estimular a alimentação

A falta de apetite, apesar de comum em pessoas mais velhas, deve ser levada a sério, pois é um sinal de alerta para condições mais graves (Foto Freepik)

 

A falta de apetite no idoso é uma queixa comum, mas que não deve ser ignorada. Com o envelhecimento, mudanças no paladar, no olfato e até no funcionamento do organismo podem reduzir o interesse pela comida.

De acordo com o nutricionista Eduardo Machado, as causas são multifatoriais e envolvem fatores fisiológicos, psicológicos e sociais. Entre esses fatores, o profissional destaca:

– redução da sensibilidade gustativa e olfativa;
– lentificação do esvaziamento gástrico;
– uso de múltiplos fármacos;
– doenças crônicas como insuficiência cardíaca e renal;
– quadros depressivos e isolamento social;
– dificuldades mastigatórias e alterações cognitivas;
– processos inflamatórios que aumentam citocinas pró inflamatórias impactando diretamente o centro de fome no hipotálamo.

Queixa comum, mas não normal

A falta de apetite, apesar de comum em pessoas mais velhas, deve ser levada a sério, pois é um sinal de alerta para uma infecção, início de quadros demenciais, doenças que geram dor crônica, entre outros quadros.

A baixa ingestão de alimentos favorece a perda de massa muscular, redução da imunidade, maior risco de infecções, piora da funcionalidade, aumento do risco de quedas e fraturas, além de impacto direto na recuperação de doenças; também eleva a taxa de hospitalização e, do ponto de vista metabólico, há também prejuízo na síntese proteica hormonal.

Deficiências nutricionais impactam a saúde do cérebro

As deficiências nutricionais podem impactar diretamente no cérebro, principalmente de vitamina B12 ácido fólico, vitamina D ferro e ômega 3, que ligação direta com a função cognitiva.

O nutricionista Eduardo Machado explica como a deficiência de vitaminas e nutrientes pode afetar a saúde cerebral:

vitamina B12: está relacionada à integridade da bainha de mielina e sua deficiência pode levar a declínio cognitivo e neuropatias;
ferro: participa do transporte de oxigênio e sua deficiência reduz a capacidade funcional cerebral;
ômega 3: especialmente DHA atua na fluidez da membrana neuronal e na modulação inflamatória;
vitamina D: também está associada a maior risco de demência e declínio cognitivo progressivo.

O que pode ser feito no dia a dia para estimular o apetite do idoso

A estratégia deve ser multifatorial e o acompanhamento profissional é essencial para ajustes individualizados, orienta Eduardo Machado. Veja alguns sugestões do nutricionista:

– fracionamento das refeições;
– aumento da densidade calórica e proteica sem aumento volumétrico;
– ajuste de textura e palatabilidade;
– estímulo sensorial com uso de temperos naturais;
– organização de rotina alimentar e ambiente tranquilo durante as refeições;
– incentivo à prática de atividade física, que melhora a sinalização de fome e sensibilidade metabólica.

Quando a suplementação nutricional é indicada ao idoso

A suplementação deve ser considerada quando não é possível atingir as necessidades nutricionais apenas com alimentação ou quando há evidência de deficiência instalada ou risco elevado, como em casos de perda de peso involuntária, sarcopenia, doenças crônicas ou baixa ingestão persistente.

“Suplementos proteicos vitaminas e minerais podem ser utilizados de forma estratégica, sempre com avaliação individualizada, visando a recuperação do estado nutricional, manutenção da massa muscular e preservação da função cognitiva”, finaliza o nutricionista.

Fonte: Receitas Globo


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