Mais da metade dos brasileiros nunca passou por consulta dermatológica, diz estudo

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 15 de março de 2026 às 20:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Levantamento recente revela que cuidado com a pele ainda é negligenciado no Brasil

Apesar de a pele ser o maior órgão do corpo humano e atuar como a principal barreira de proteção contra agentes externos, o cuidado dermatológico ainda está longe de fazer parte da rotina da maioria dos brasileiros.

Um levantamento do Dossiê Brasil à Flor da Pele, realizado pela L’Oréal em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), revelou que mais da metade da população nunca passou por uma consulta com um dermatologista.

A informação acende um alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo com a saúde da pele, dos cabelos e das unhas.

Opinião de especialista

Para a Dra. Lorena Mesquita, professora de pós-graduação em Dermatologia da Afya Ribeirão Preto, a baixa procura pela especialidade está ligada à percepção equivocada de que o profissional atua apenas na estética.

“Existe uma ideia equivocada de que o dermatologista é um médico voltado exclusivamente para a estética, quando, na realidade, ele atua na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças que podem impactar seriamente a saúde e a qualidade de vida”, explica.

Segundo a médica, a estética é apenas um dos pilares da área, que abrange mais de três mil doenças da pele, cabelos e unhas e pode contribuir para o diagnóstico precoce de condições sistêmicas.

Subestimados

Nesse contexto, a especialista alerta que problemas aparentemente simples não devem ser subestimados.

Condições comuns como acne persistente, manchas, coceiras frequentes, queda de cabelo e alterações nas unhas costumam ser negligenciadas ou tratadas de forma inadequada, o que pode atrasar o início do tratamento correto e favorecer complicações.

“A pele dá sinais o tempo todo, e ignorá-los ou recorrer apenas à automedicação pode mascarar doenças inflamatórias, infecciosas ou até câncer de pele”, alerta a dermatologista.

Dra. Lorena enfatiza, ainda, que a automedicação, o uso de receitas caseiras ou de produtos indicados por terceiros podem aliviar sintomas de forma temporária, mas também retardam diagnósticos importantes.

Espelho da saúde

Acne persistente, por exemplo, pode evoluir para cicatrizes permanentes; manchas podem estar associadas a alterações hormonais ou inflamatórias; e a queda de cabelo pode refletir doenças internas.

Para a médica da Afya, a pele funciona como um verdadeiro espelho da saúde do organismo, e sinais como vermelhidão persistente, lesões que não cicatrizam, pintas que mudam de cor ou formato e coceiras crônicas devem ser encarados como alertas.

“Quanto mais cedo o paciente busca avaliação especializada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e de evitar complicações. O diagnóstico precoce salva a pele, preserva a qualidade de vida e, em alguns casos, salva vidas”, destaca.

10 motivos para ir com mais frequência ao dermatologista

A médica elenca alguns dos principais motivos que reforçam a importância de consultas regulares com o dermatologista:

Manchas novas ou mudanças em pintas, especialmente se crescerem, mudarem de cor ou formato;

Acne persistente, principalmente quando não melhora com cuidados básicos;

Queda de cabelo intensa e repentina;

Coceiras, vermelhidão ou descamação frequentes;

Alterações nas unhas, como manchas, deformidades ou enfraquecimento;

Exposição solar excessiva, histórico familiar de câncer de pele ou pele muito clara;

Avaliação preventiva anual, mesmo na ausência de sintomas aparentes;

Feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade;

Mudanças na textura da pele, como áreas endurecidas com nodulações ou abaulamentos;

Alterações de sensibilidade da pele e ou manchas esbranquiçadas associadas


+ Saúde