Santa Casa de Igarapava fecha 10 leitos de Covid 19 após fim de convênio

  • Joaquim Felix
  • Publicado em 4 de dezembro de 2020 às 07:28
  • Modificado em 11 de janeiro de 2021 às 10:24
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Paciente internado precisou ser transferido para cidade vizinha. Estado diz que analisa prorrogação

O pai da dona de casa Sandra Silva estava internado na UTI - na segunda-feira (30), ele teve que ser transferido para a Santa Casa de Ituverava

Os dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar pacientes com Covid-19 na Santa Casa de Igarapava (SP) foram fechados em dezembro. Segundo o hospital, o motivo é o fim de um convênio com o governo de São Paulo para custear a operação.

De acordo com a Prefeitura, o diretor municipal de Saúde, Murilo Soares do Santos, está em São Paulo para negociar a prorrogação do convênio com o governo estadual.

A situação já preocupa a Secretaria da Saúde de Franca (SP), cidade que é referência entre os municípios do Departamento Regional de Saúde (DRS) 8.

Em novembro, o governo de São Paulo assinou um decreto determinando que os hospitais não desmobilizem os leitos criados para atender exclusivamente pacientes da Covid-19.

A medida, segundo o governador João Doria (PSDB), foi tomada após o aumento dos casos de internações e novos casos de coronavírus no estado.

Procurado, o governo estadual informou que o pedido da prefeitura está em análise Transferência de pacientes

Diagnosticado com o novo coronavírus, o pai da dona de casa Sandra Silva estava internado na UTI. Na segunda-feira (30), ele teve que ser transferido para a Santa Casa de Ituverava (SP), que fica a 37 quilômetros de distância.

Segundo Sandra, os funcionários informaram que falta verba para manter a operação. “Foram muito gentis com a gente, mas disseram que a UTI ia fechar e que o prefeito estava correndo atrás de verba para continuar, mas até então que ia fechar. Realmente fechou.”

A dona de casa afirma que o deslocamento até Ituverava para acompanhar o quadro de saúde do pai tem sido desgastante para a família.

“Dificulta saber notícia toda hora. Aqui é pertinho. Nós estamos preocupados com a distância, porque pega chuva na estrada. Quem vai visitar que passa notícia. Ontem foi meu cunhado, hoje foi minha irmã.”

Sandra diz que o pai está sendo bem cuidado na Santa Casa de Ituverava e que está se recuperando, mas se preocupa com outras pessoas que possam vir a precisar de atendimento especializado.

“Tem muita gente que vai precisar porque essa doença está voltando tudo, né? Eu queria muito que conseguissem trazer essa UTI de novo para cá.”

Sem verba para manutenção

A Santa Casa teve que finalizar a UTI. Infelizmente paralisamos o serviço porque não tinha verba para custear medicamentos, insumos e equipes, diz diretor Marcelo Ormeneze

Segundo Marcelo Ormeneze, interventor da Santa Casa, em agosto, o hospital recebeu uma proposta para montar dez leitos de UTI, que seriam custeados pelo estado.

A unidade recebeu dez respiradores e um repasse de R$ 1,5 milhão para compra de outros equipamentos e insumos, além do custeio de equipes, por três meses de prestação de serviços. A abertura ocorreu em setembro, mas o convênio foi finalizado em 30 de novembro.

“Salvamos vidas, como também perdemos, infelizmente. Mas, agora, veio a findar o convênio que a gente fez com o município. A gente teve que finalizar a UTI. Infelizmente paralisamos o serviço porque não tinha verba para custear medicamentos, insumos e equipes”, diz Ormeneze.

Ainda de acordo com o interventor, a Santa Casa tem condições de atender casos leves de Covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas se houver a necessidade de UTI, eles terão que ser levados às cidades vizinhas.

Preocupação

O secretário da Saúde de Franca (SP), Luiz Carlos Vergara, demonstra preocupação com o problema em Igarapava

A baixa oferta de vagas para tratar casos graves da doença levou a região de Franca a ficar de junho a agosto na fase vermelha do Plano São Paulo, a mais restrita em que apenas serviços essenciais funcionam.

O secretário da Saúde de Franca (SP), Luiz Carlos Vergara, demonstra preocupação com o problema em Igarapava.

“Nós precisamos pensar que a manutenção dos leitos na cidade de Igarapava tem uma grande importância, não é só Igarapava, Ipuã, Morro Agudo. Por que? Se não tem o leito naquela região, ele vem para a região de Franca, e Franca vai sofrer com isso, com a redução de leitos na região”, afirma Vergara.

O que diz o governo de SP

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde informou que enviou os dez respiradores para o hospital, bem como R$ 1,4 milhão, e que analisa a prorrogação do convênio.

Ainda segundo a secretaria, a taxa de ocupação nas UTIs na região de Franca é de 34,5%. “A rede hospitalar segue com condições de assistir casos graves do novo coronavírus”, informou.

(fonte:G1)​


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