Psicólogo traz dicas para os pais sobre como interpretar a linguagem corporal dos jovens, especialmente com relação às vestimentas
O calor é perfeito para usar roupas leves, mas não é incomum se deparar com adolescentes vestidos com moletom por aí (Foto Arquivo)
Os termômetros estão marcando 30 °C e o sol está brilhando lá fora. O cenário é perfeito para usar roupas leves, mas não é incomum se deparar com adolescentes vestidos com moletom por aí.
A adolescência é um período conturbado tanto para os jovens como para os pais. Entender o comportamento dos filhos nessa fase é desafiador.
Nesse caso, a psicologia pode ser uma aliada para ajudar as famílias a lidar com as novas gerações.
O psicólogo especialista em comportamento não verbal, David Leucas, seleciona duas razões principais que podem estar associadas ao uso do moletom (ou roupas largas), mesmo em dias quentes: a dificuldade de formar uma autoimagem corporal e a influência cultural dos países do hemisfério norte.
Mudanças corporais
No primeiro caso, o especialista destaca as inúmeras mudanças corporais ocorridas durante a adolescência. “É uma loucura hormonal. É difícil formar uma autoimagem corporal quando você está em um mês de um jeito e, dias depois, de outro”.
Os jovens ainda sofrem muito mais com as críticas com relação ao seu corpo, sobretudo devido às mídias sociais.
“Anteriormente, tínhamos menos modelos de corpo a seguir. Hoje, temos uma rede social que mostra o tempo inteiro como as pessoas deveriam ser fisicamente e o adolescente acaba preferindo ficar mais reservado e usar roupas largas para evitar julgamentos”, explica o psicólogo.
Formação da identidade
A segunda razão por trás do uso do moletom pode estar atrelada à formação de uma identidade e à apropriação de uma cultura norte global.
Os jovens costumam se espelhar amplamente em imagens e conteúdos de países frios, principalmente aqueles relacionados à cultura norte-americana.
Assim, usar roupas largas e quentes — mesmo no verão — é uma forma de afirmar essa identidade e se integrar a um grupo social específico.
“O comportamento irá dizer a qual tribo eles pertencem. A linguagem corporal vai mostrar isso desde uma vestimenta identificada com o rap, hip hop e trap até uma fala mais introspectiva”, o psicólogo destacou.
Perfil recluso
Outra característica dessa geração nativa digital é uma predileção a um perfil mais recluso. Há uma valorização de uma linguagem corporal mais contida, especialmente entre os meninos. “Eles não se expõem tanto e não cultivam uma quantidade muito grande de relações”, o especialista explica.
Se você stalkear as redes sociais de um adolescente e pré-adolescente, provavelmente, irá ver uma ou duas fotos (muitas vezes sem mostrar o rosto).
“É uma geração que busca ser mais introspectiva do que as anteriores, justamente por ser uma geração que teve muita exposição nas redes sociais. Estamos fazendo um movimento inverso. É uma geração mais consciente”, conclui o psicólogo.