Aparentemente a afirmação do título desse texto não lhe soa bem, não é? Não é de se estranhar. Quando resolvi escrever o artigo de hoje também me pareceu algo fora do lugar. Afinal, estamos acostumados com a linha Bem X Mal; Fla X Flu; Direta X Esquerda; Tucano X Petralha e por aí vai.
A indiferença nas relações humanas
O oposto do amor não é o ódio, mas a INDIFERENÇA. Pois se você odeia, você ainda se importa. Infelizmente, estamos vivendo dias em que não nos importamos mais uns com os outros. Talvez, para alguns, o limite dessa importância está apenas no âmbito familiar, alguns, nem isso. O limite é o próprio umbigo.
Enquanto o problema não atinge o nosso (o meu) limite, isso é problema do outro e ele que se vire.
E quais seriam esse(s) problema(s)?
Poderia enumerar vários: desde a falta do alimento, o envolvimento de alguém com drogas, o casamento de alguém que está em ruínas, a falta de dinheiro, o desemprego e até a coisas que parecem pequenas, distantes do nosso umbigo, como o preconceito, o bullying, os maus tratos às mulheres, o trabalho escravo de crianças, o descaso com o meio ambiente e tantos outros desrespeitos aos direitos humanos.
“Antes de errar, antes de ser indiferente com alguém, e antes de simplesmente dizer adeus, certifique-se de que não quererás voltar depois, porque erros machucam, a indiferença distancia as pessoas, e há coisas que nunca mais voltam a ser como antes”.[Augusto Branco]
Quando você está sofrendo algo do tipo, parece que você procura por ajuda aqui e ali e muitos lhe viram as costas. Ou lhe dão um tapinha nas costas e dizem: Poxa, amigo! Que coisa complicada, hein! A vida é assim mesmo. Qualquer coisa me avisa!
Como assim, avisar?
Estamos indiferentes a tudo e a todos?
Nada mais nos comove? Nada mais nos tira da zona do eu, do nosso limite? Precisamos fazer a diferença onde a indiferença se faz presente. Precisamos fazer o amor superabundar onde não há mais amor.
A indiferença minha e sua afeta o coletivo. E é por isso e por outras que estamos vivendo numa sociedade enferma.
Somos diferentes uns dos outros. E que cada igual faça algo por si. Podem pensar alguns. Não sou da sua tribo. A sua tribo que faça por você. Somos diferentes, mas a nossa indiferença não pode reinar na dificuldade do outro.
Não importa as diferenças religiosas, sócio culturais ou econômicas, de raça ou de tribo. Somos um. Somos seres humanos.
Uma histórinha sobre não praticar a indiferença
Lembro-me de uma notícia que li há muito tempo sobre uma fábrica automotiva da Alemanha que estava demitindo parte de seus funcionários. A comunidade local, próxima da indústria locomotiva resolveu se manifestar, mesmo que nela não houvesse um único empregado contratado pela empresa. A dor de outras famílias por seus desempregados era a dor daquela comunidade.
Os problemas que seriam gerados pela falta de emprego às famílias dos demitidos se tornou um problema em comum para as pessoas daquela comunidade próxima da fábrica
Como disse Charles-Simon Favart, um autor dramático francês, “a indiferença é o sono da alma“. Um olhar indiferente ou o tratar com indiferença é um perpétuo adeus.
Mas como é bom saber que podemos contar com pessoas que nos abrem os braços. Isso dá sentido à vida. Um abraço em meio a tempestade traz bonança.