Entre a pressão e o medo de falhar, jovens estudantes enfrentam um dos períodos mais desafiadores do ano (e da vida)
O período que antecede provas importantes, como o ENEM (que neste ano acontece em 9 e 16 de novembro) e os vestibulares, costuma ser acompanhado por uma velha conhecida dos estudantes: a ansiedade.
A expectativa pelo resultado, a cobrança pessoal e familiar e o medo de decepcionar acabam se somando à rotina intensa de estudos e podem trazer sintomas físicos e emocionais — de insônia e irritabilidade à dificuldade de concentração.
Segundo especialistas, é natural sentir algum nível de ansiedade antes de um grande desafio, mas quando o nervosismo ultrapassa o limite e começa a prejudicar o desempenho ou o bem-estar, é preciso atenção.
“A ansiedade tem uma função: ela nos prepara para agir diante de situações novas. O problema é quando ela se torna excessiva, gerando sofrimento e atrapalhando o raciocínio e o foco”, explica a psiquiatra diz Danielle Admoni
Quem é
Ela é psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).
O período pré-exame é um dos momentos mais críticos para adolescentes e jovens adultos, já que muitos enfrentam pela primeira vez uma grande prova de vida e associam o resultado à própria identidade, como se o sucesso ou o fracasso determinassem quem são. “Isso aumenta ainda mais a pressão interna”, diz a psiquiatra.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Delta do Parnaíba e da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), publicado no início de 2025, mostrou que a ansiedade em relação ao ENEM está ligada a uma correlação negativa com autoestima e com a percepção do estudante em ser um bom aluno.
Bom estudante
Ou seja, quanto menor a autoestima ou menor a autoimagem de “bom aluno”, mais sintomas de ansiedade pré-ENEM foram relatados.
O mesmo ocorre com a pressão familiar pela aprovação e o medo do futuro: quanto mais os estudantes sentem a cobrança dos pais e mais apresentam temor do que vai acontecer, mais sintomas de ansiedade aparecem.
Para ajudar a lidar melhor com o estresse, algumas estratégias simples podem fazer diferença:
Elaborar um plano de estudos realista, considerando quanto tempo falta para as provas;
Manter uma rotina de sono adequada: virar noites estudando não é nada produtivo;
Fazer pausas regulares durante o estudo;
Evitar o consumo exagerado de cafeína;
Alimentação
Alimentar-se de maneira saudável, com muitas frutas, legumes, verduras, alimentos integrais, carnes magras e evitando o excesso de açúcar;
Reservar tempo para atividades relaxantes, como caminhadas, assistir a um filme ou ouvir música;
Na véspera da prova, não tentar correr atrás do prejuízo e aprender um conteúdo novo. Esse dia é para fazer um programa tranquilo, se alimentar com refeições leves e deixar tudo organizado para o dia seguinte: checar materiais, documento, local e horário da prova;
Dormir cedo (ou pelo menos tentar), na véspera da prova.
Parte do processo
Além disso, escolas e cursinhos pré-vestibulares podem exercer um papel importante nesse processo, investindo em apoio psicológico e oficinas de autocuidado, com espaços de escuta e palestras sobre saúde mental, ações que ajudam o aluno a perceber que não está sozinho e que cuidar da mente é tão importante quanto estudar.
E, no dia da prova, a principal recomendação é confiar na preparação e aceitar que o nervosismo é parte do processo. “O objetivo não é eliminar a ansiedade, mas aprender a controlá-la”, conclui Danielle Admoni.