Como uma expressiva relações pública, Patrícia começou colunista social, mas logo se transformou em expoente defensora das causas francanas.
Com a morte de Patrícia, Franca perde a principal transmissora da história oral da cidade
A morte de Patrícia causa uma enorme perda para os amigos, mas a comunidade francana perde muito mais: perde o que Platão fala em sua obra Fédon: a transmissão oral da história.
Para não virar um textão – o que seria natural nessa narrativa – vai sem maiores firulas apenas o básico.
Sem se preocupar com o formato do seu conteúdo, Patrícia foi a maior jornalista da história de Franca. Não importa se no vídeo, no rádio ou no jornal.
E por que Patrícia foi a maior jornalista francano de todos os tempos? Porque ela narrou o que viu. E quase sempre foi a motivadora/causadoras dos fatos. Esteve presente em todas as conquistas e fatos que passou aos seus ouvintes, telespectadores e leitores.
Quem vai contar agora como que sua amiga Luiza Trajano Donato resolveu mudar o nome da loja A Cristaleira, que passou a se chamar Magazine Luiza? Patrícia realizou o concurso que recebia as cartas com sugestões e que definiu o novo nome.
Presente
Quem vai contar agora quem estava na reunião de amigos que antecedeu a criação da APAE Franca a APAE?
Quem vai se lembrar dos nomes de Wilson Fonseca, Alfredo Costa, João Geraldo Raymundo (Josa), Nenzinha Franquini, Maria Laura Monteiro e tantos outros que arregaçaram as mangas e plantaram a semente da APAE de hoje?
Quem vai contar da grande briga para a instalação do Corpo de Bombeiros em Franca. Criado e instalado na gestão do prefeito José Lancha Filho, teve como defensora mor a jornalista Patrícia. Esteve em todas as reuniões e audiências para trazer aos francanos o Corpo de Bombeiros.
Quem vai contar para os francanos como foi o processo para trazer o Senai para Franca, junto com Márcio Bagueira Leal e Jorge Alexandre Athiê. Os dois eram sócios na indústria Paragon, mas mais do que isso, eram integrantes do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca.
Quem vai contar para os francanos como foi que Franca – antes das principais cidades do Brasil – conquistou a discagem DDD? Não é brincadeira dizer que antes do DDD era mais rápido ir a Batatais do que conseguir uma ligação interurbana.
Em todos
O primeiro resultado do DDD em Franca foi a instalação de duas cabines de telex na cidade. Ninguém vai se lembrar do que é isso. Mas é o dinossauro da comunicação. Depois do telex veio o fax e depois do fax veio o e-mail.
O telex foi essencialmente importante para os contatos que os calçadistas francanos tinham com seus compradores espalhados pelo mundo.
Quem vai contar para os francanos como foi a criação da Francal? E mais do que isso, como foi o trabalho para sua primeira realização no prédio inacabado da Prefeitura de Franca, em 1969.
Quem vai contar para os francanos como foi a luta para construir os pavilhões da Francal, inaugurado em 1974 pelo então presidente Geisel?
Acontecimentos
Quem vai contar para os francanos a evolução do basquete francano, a mudança de nomes de Clube dos Bagres para Emmanuel, depois para Amazonas Franca, depois para Associação Atlética Francana, depois Franca – e ainda todas as alterações posteriores.
Tudo isso só tinha um objetivo: manter a chama de cidade do basquete brasileiro, que perdura até hoje.
Quem vai contar agora as suas dificuldades, inclusive financeiras, para manter a transmissão oral da história?
Patrícia nunca colocou o dinheiro na frente do seu ideal. Foi o que sempre quis ser, apesar de todos os seus momentos de agruras.
Da história recente
Profissionalmente, começou nas páginas do Comércio da Franca, pelas mãos de Alfredo Henrique Costa, passou pelo Diário da Franca. Começou na PRB-5, trabalhou na Rádio Imperador e na Difusora.
Fez programas na Rede Record, na Bandeirantes e voltou para a Record.
Em muitos episódios da sua vida, preferiu manter a ética a se submeter aos interesses, mesmo que isso significasse perdas financeiras ou posições sociais. Essa é uma história de vida pessoal, que, além da família, poucas pessoas conhecem.
Conheci Patrícia nos antigos estúdios da PRB-5, como seu técnico de som, quando ainda tinha 13 anos de idade. Trabalhei com Patrícia também na Rádio Imperador e no jornal Comércio da Franca.
De Franca
Na revista Enfoque, fizemos uma grande reportagem da Patrícia, como uma cronista do cotidiano.
O contato continuou por toda a vida. Quando nos encontrávamos, eu brincava: “Segura o rojão, porque daquela turma antiga só ficamos você e eu”.
Agora não tem mais a presença de Patrícia. Fica a lembrança e a possibilidade de continuar, com menos intensidade, a transmissão oral da história.