Método tem que ser monitorado e indicado por um profissional da área de medicina ou nutrição para ser totalmente seguro
O jejum intermitente ganhou espaço nos últimos anos como uma das estratégias mais comentadas quando o assunto é emagrecimento e composição corporal. Popular nas redes sociais e adotado por celebridades e praticantes de atividade física, o método levanta uma dúvida recorrente: ele é realmente eficaz para a perda de peso ou o ganho de massa muscular?
De forma geral, o jejum intermitente não é uma dieta específica, mas um padrão alimentar que alterna períodos de alimentação com períodos sem ingestão calórica. Os protocolos mais conhecidos incluem o 16/8 — em que a pessoa fica 16 horas em jejum e se alimenta em uma janela de oito horas — e o 5:2, que intercala dias de alimentação normal com dias de consumo bastante reduzido de calorias.
No que diz respeito à perda de peso, especialistas explicam que o jejum pode ser eficaz principalmente por ajudar a reduzir a ingestão calórica total ao longo do dia. Ao limitar o tempo disponível para comer, muitas pessoas acabam consumindo menos calorias, o que favorece o emagrecimento. Além disso, o método pode melhorar a sensibilidade à insulina e estimular o uso da gordura corporal como fonte de energia, fatores que contribuem para a redução de peso.
No entanto, o jejum intermitente não é, por si só, uma solução milagrosa. Estudos indicam que os resultados dependem diretamente da qualidade da alimentação durante os períodos de refeição. Dietas ricas em ultraprocessados, mesmo dentro da janela alimentar, tendem a comprometer os benefícios do método.
Quando o objetivo é o ganho de massa muscular, o cenário exige mais cautela. O crescimento muscular está diretamente ligado ao consumo adequado de proteínas, calorias e à prática regular de treinamento de força. Para algumas pessoas, especialmente atletas ou indivíduos com alto gasto energético, a restrição de horários pode dificultar a ingestão suficiente de nutrientes, prejudicando a hipertrofia. Ainda assim, há casos em que o jejum é conciliado com bons resultados, desde que haja planejamento alimentar e acompanhamento profissional.
Outro ponto destacado por especialistas é que o jejum intermitente não funciona da mesma forma para todos. Fatores como rotina, nível de atividade física, histórico de saúde e relação com a alimentação influenciam diretamente na adaptação ao método. Para algumas pessoas, ele facilita a organização alimentar; para outras, pode gerar desconforto, queda de rendimento ou episódios de compulsão.
Em resumo, o jejum intermitente pode ser uma ferramenta eficaz para a perda de peso e, em situações específicas, compatível com o ganho de massa muscular. No entanto, seus resultados dependem menos do tempo em jejum e mais da qualidade da alimentação, do treino e da individualidade de cada pessoa. A recomendação é que a estratégia seja avaliada caso a caso, preferencialmente com orientação de profissionais de saúde e nutrição.