Fotógrafo Igor do Vale foi surpreendido ao descobrir que foto tirada por ele era compartilhada na internet como sendo de maremoto no México
Foto original tirada por Igor do Vale durante uma enchente em Franca em 2019
O fotógrafo brasileiro Igor do Vale foi surpreendido na última quinta-feira (28) ao digitar o nome dele em um site de buscas e descobrir que uma foto tirada por ele em 2019 durante uma enchente em Franca estava sendo usada para ilustrar um maremoto no México.
A revelação de que a imagem, que passou por edição, fazia menção ao fenômeno de forma equivocada foi feita pela equipe de checagem de dados do jornal ‘Lá República’, do Peru.
Segundo o jornal, a publicação nas redes sociais dizia que um alerta sísmico havia sido feito por conta do maremoto. A checagem apontou que isso nunca existiu.
Por meio de uma busca reversa, a equipe constatou que a foto usada foi uma edição da original de Igor do Vale, publicada em uma notícia do G1.
Na publicação falsa, carros foram acrescentados no Córrego dos Bagres, que transbordou e transformou a Avenida Antônio Barbosa Filho em um rio.
Imagem compartilhada por um jornal peruano como sendo de um maremoto no México
“O susto maior que me deu foi ver como é que eles acharam essa imagem. Como que pegaram essa foto, do interior?”, disse o fotógrafo, que não foi procurado pelo jornal peruano.
Igor do Vale, que é publicitário por formação, trabalha como fotógrafo autônomo e envia as imagens à diversas agências de notícias nacionais e internacionais. A foto usada na falsa publicação, por exemplo, estampou jornais brasileiros.
A cada imagem vendida pelas agências, ele recebe 50% do valor comercializado.
“Todo dia eu bato meu nome no Google entre aspas, que é a forma que eu consigo mais rápido as imagens que foram para o ar, se foram publicadas ou não. Na quinta-feira, 28, eu estava pesquisando meu nome, se tinha saído alguma coisa, e vi essa matéria”, contou.
O fotógrafo repreendeu o fato de ter o trabalho ligado a uma informação falsa, mas disse que não pretende acionar a justiça contra o autor da publicação nas redes sociais.
“Até tem [como entrar na Justiça], mas não procurei, embora meu irmão seja advogado. Mas sim, tem resguardo, principalmente se tivesse meu nome lá. É quase um a difamação, porque eu vou junto. Quem é contra fake news e vê meu nome ou uma foto minha atrelada a uma fake news, pode muito bem me levar para o mesmo pacote. Aí eu tenho que explicar que não tem nada a ver, que eu fiz a foto original”.