Compartilhar colírio pode causar 4 doenças nos olhos; saiba quais são

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 14 de março de 2026 às 12:30
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Levantamento mostra que o compartilhamento responde por 35% dos casos de doença do olho seco, ceratite, conjuntivite viral e bacteriana

Oftalmologista afirma que colírio é medicamento individual e intransferível – cada pessoa deve ter o seu (Foto Arquivo)

 

Você abre o armarinho do banheiro e não tem dúvida – Usa o colírio do avô que acabou de operar a catarata na maior despreocupação com a sua saúde e a dele.

A cena é recorrente no Brasil. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier os prontuários 850 pacientes do hospital mostram que 297 (35%) só buscaram por consulta depois de usar à vontade colírio de algum familiar ou amigo.

O comportamento é mais frequente no verão, estação da conjuntivite que se não for bem tratada pode causar ceratite (inflamação da córnea).

Medicamento individual

O oftalmologista afirma que colírio é medicamento individual e intransferível – cada pessoa deve ter o seu. Isso porque, explica, a lágrima e a superfície de nosso olho contêm bactérias, vírus e fungos que funcionam como barreira para proteger nossos olhos do ambiente externo.

Esta flora ou microbioma difere de uma pessoa para outra. Por isso, o compartilhamento de colírio facilita através do bico dosador da embalagem a contaminação cruzada – transferência do microbioma de uma pessoa para a outra.

Tipos de olho seco

Diferente do olho seco evaporativo causado pelo uso excessivo de tela que é caracterizado por disfunção nas glândulas que secretam a camada oleosa da lágrima, o olho seco após uso indevido de colírios é uma deficiência da camada aquosa.

É provocada por fórmulas com corticoide que também aumentam o risco de catarata. As gotas com anti-histamínico para combater alergia também diminuiem a produção da lágrima, pontua.

Estes colírios, embora sejam bem indicados após cirurgias nos olhos ou processos alérgicos, desequilibram o microambiente da superfície ocular.

Isso significa que o uso de colírio lubrificante até melhora a ardência e sensação de areia nos olhos. Entretanto o oftalmologista indica outros cuidados durante o tratamento para aliviar o sofrimento:

– Use óculos escuros nas atividades externas;
– Interrompa o uso de lente de contato;
– Evite a exposição ao ar-condicionado;
– Hidrate o corpo tomando 30 ml de água/quilo de seu peso.
– Dê preferência aos colírios lubrificantes sem conservante.

Conjuntivite: Sintomas e tratamento

Queiroz Neto afirma que os tipos mais frequentes de conjuntivite causadas pelo uso indiscriminado de colírios são a viral que tem secreção viscosa e a bacteriana caracterizada pela secreção purulenta. Vermelhidão, pálpebras inchadas, dor e sensação de areia nos olhos são os sintomas em comum.

O tratamento dura de uma a duas semanas, sendo mais longo na viral. O tratamento consiste em aplicar três vezes ao dia compressas frias na viral e compressas quentes na bacteriana para ajudar o olho expelir a infecção.

O uso de colírios só deve ser adotado sob prescrição médica. A dica do especialista é ocluir o canto interno do olho a cada instilação para evitar efeitos colaterais sistêmicos.

Prevenção

Os principais cuidados preventivos indicados pelo 0ftalmologista para evitar recaída são:

– Mantenha as mãos limpas;
– Não leve as mãos aos olhos;
– Não compartilhe fronhas, toalhas, talheres;
– Evite aglomerações;
– Higienize teclados e se possível evite o compartilhamento;
– Não use lente de contato e maquiagem durante o tratamento;
– Caso use lente de contato substitua por um par novo quando sarar.

Ceratite

O compartilhamento de colírio pode causar inflamação na córnea, lente externa do olho. O principal sintoma é a diminuição da visão .Isso porque, ressalta, a córnea responde por 60% de nossa refração.

Portanto, qualquer sequela nesta área do olho pode comprometer gravemente nossa capacidade de enxergar. Se a ceratite não for tratada corretamente leva à perda da visão. O tratamento depende do agente causador e da gravidade da lesão. Em alguns casos pode exigir transplante de córnea.

Quando há perfuração, como já aconteceu com uma paciente após instilar um colírio impróprio, a melhor solução e colar a córnea e entrar com um pedido de urgência no banco de olhos para que não aconteça a perda do globo ocular.

Queiroz Neto afirma que todo cuidado é pouco para evitar complicações na córnea. Por isso quando você sentir um desconforto no olho consulte um oftalmologista. Como diz o ditado a prevenção é o melhor remédio, finaliza.

Fonte: Notícias ao Minuto


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