Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que entre 18,5% e 23,4% dos adultos convivem com problemas crônicos de coluna.
A dor nas costas não apenas é frequente, como também se manifesta precocemente: a média de início dos sintomas gira em torno dos 35 anos, impactando indivíduos em plena fase produtiva da vida. O assunto merece atenção neste Dia Mundial da Coluna, celebrado em 16 de outubro.
O ortopedista Murilo Daher, especialista em coluna, também destaca que os problemas na coluna não é algo apenas de quem chegou à terceira idade, pois podem acometer pessoas de todas as idades, desde crianças e adolescentes até adultos e idosos.
Ele afirma que o que muda são as condições mais frequentes em cada fase da vida. “Nos jovens, por exemplo, podemos encontrar deformações posturais, como escoliose. Já nos adultos, a dor lombar é uma queixa muito comum e pode estar relacionada a fatores como sedentarismo, sobrecarga física, predisposição genética e exigências do trabalho”.
“Com o envelhecimento, aumentam as chances de desenvolver alterações degenerativas, como o desgaste dos discos, a artrose das articulações da coluna e a estenose do canal vertebral”, reafirma Murilo Daher.
Movimento
Segundo o médico, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, não existe uma postura perfeita, como muitos pensam, principalmente quando se está sentado.
Ele destaca que não é interessante manter uma mesma postura por muitas horas, mas que se consiga distribuir as cargas em diferentes pontos da coluna e não em uma única posição o dia todo.
“Levantar-se a cada hora é uma boa estratégia, coluna gosta de movimento. Mais importante do que tentar manter uma postura rígida e considerada ideal é organizar o ambiente de trabalho, alternar posições, realizar pausas para movimentação e manter uma rotina de atividade física”.
Cuidados no dia a dia
Murilo Daher ressalta que envelhecer não significa necessariamente ter dor ou desenvolver uma doença incapacitante na coluna, assim como uma pessoa jovem também não está livre desses problemas.
“O mais importante é reconhecer os fatores de risco, manter hábitos saudáveis e procurar avaliação especializada quando os sintomas persistirem ou houver sinais de alerta”, destaca.
Dicas de como cuidar da coluna no dia a dia
Evite permanecer muito tempo na mesma posição:
Esse é um dos cuidados importantes, tanto para quem trabalha sentado quanto para quem passa o dia em pé. “A coluna foi feita para se movimentar. Por isso, procure fazer pequenas pausas ao longo da jornada, levantar-se para caminhar um pouco, mudar a posição do corpo e realizar movimentos confortáveis”, pontua o ortopedista.
Segundo ele, “o objetivo não é seguir um intervalo rígido para todos, mas evitar longos períodos sem movimentação”.
Ajuste o ambiente de trabalho à sua altura e à sua atividade:
“Para quem trabalha sentado, a cadeira deve permitir que os pés fiquem apoiados no chão ou em um suporte, com os joelhos confortavelmente posicionados. O encosto deve oferecer apoio à região lombar. O monitor precisa ficar à frente do trabalhador, em uma altura que permita manter a cabeça em posição confortável”.
“Para quem trabalha em pé, é importante que a bancada ou a superfície de trabalho esteja em uma altura adequada, evitando que a pessoa precise inclinar excessivamente o tronco ou elevar os ombros durante a atividade”.
Alterne entre sentar, ficar em pé e caminhar sempre que possível:
A alternância de posições ajuda a distribuir as exigências mecânicas entre diferentes estruturas do corpo. Quem trabalha sentado pode aproveitar pequenas pausas para caminhar ou realizar uma tarefa em pé.
“Já quem trabalha em pé pode se beneficiar de momentos sentados, desde que isso seja compatível com sua função. Mesas com regulagem de altura podem ajudar, mas não substituem a necessidade de movimentação”.
Pratique atividade física regularmente:
A atividade física é uma importante aliada da saúde da coluna. Exercícios de fortalecimento muscular, condicionamento aeróbico e mobilidade ajudam a melhorar a capacidade de realizar as tarefas cotidianas e profissionais.
“A escolha dos exercícios deve considerar as condições individuais, o nível de condicionamento e a presença de sintomas. Não é necessário ter uma musculatura extremamente forte, mas desenvolver capacidade física suficiente para as demandas do dia a dia”, afirma o médico.
Utilize calçados adequados para a atividade profissional:
Essa orientação é especialmente importante para quem permanece muitas horas em pé. Calçados confortáveis, estáveis e compatíveis com a atividade podem reduzir o desconforto nos pés e nos membros inferiores.
“Quando necessário, tapetes antifadiga e apoios para os pés também podem ajudar, dependendo do ambiente de trabalho. Entretanto, nenhum calçado, por si só, elimina o risco de dor na coluna”, salienta Murilo Daher.




