Classificação de alimentos ajuda a entender com processamento interfere na qualidade da dieta e pode influenciar doenças crônicas
Nos supermercados, a escolha entre um alimento fresco e uma embalagem que traz o alimento pronto deve ir além da praticidade. O nível de processamento industrial dos alimentos impacta a saúde, modificando desde o valor nutricional até a forma como o organismo processa o que é ingerido.
Conforme os alimentos se distanciam do estado natural, passando de minimamente processados a ultraprocessados, eles perdem fibras e compostos importantes. Ao mesmo tempo, recebem uma carga de sódio, açúcares e aditivos químicos, condicionando o perfil de nutrientes, o gosto e o sabor, como explica o Ministério da Saúde.
Para compreender a classificação industrial, é possível recorrer ao Guia Alimentar para a População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde, que afirma: “prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados”.
Diferenças
Segundo o material, existem quatro categorias de alimentos definidas de acordo com o nível de processamento: in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados.
Entender as diferenças entre os grupos auxilia que a escolha seja mais consciente e preventiva. Ao priorizar a chamada comida de verdade, é possível melhorar a nutrição imediata, além de afastar o risco de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
Alimentos ultraprocessados
Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais prontas para consumo, feitas com ingredientes com nomes pouco familiares e não usados em casa, como carboximetilcelulose, açúcar invertido, maltodextrina, frutose, xarope de milho, aromatizantes, emulsificantes, espessantes, adoçantes, entre outros.
Os alimentos ultraprocessados são desbalanceados em nutrientes devido à sua própria composição e formulação, que inclui altas quantidades de açúcar, sal e gorduras não saudáveis.
São exemplos de alimentos ultraprocessados: biscoitos doces e salgados; cereal matinal e macarrão instantâneo; salgadinhos de pacote; bebidas adoçadas não carbonatadas, como refrescos; e bebidas adoçadas carbonatadas, os refrigerantes.
Alimentos processados
Os alimentos processados são feitos com alimentos in natura ou minimamente processados, além de ingredientes culinários.
Exemplos: conservas de legumes, extrato de tomate com sal, peixe conservado em óleo ou água e sal, frutas em calda, queijos.
Alimentos minimamente processados
Os alimentos minimamente processados são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas.
Exemplos: grãos secos, polidos e empacotados ou moídos na forma de farinhas; raízes e tubérculos lavados; cortes de carne resfriados ou congelados; e leite pasteurizado.
Alimentos in natura
Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais, como folhas, frutos, ovos e leite, e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza.
Impactos para a saúde
Pesquisadores avaliam propriedades nutricionais, composição e valor energético dos produtos alimentícios para subsidiar estudos sobre alimentação e saúde pública.
Ao invés de focar apenas no valor energético isolado, a ciência nutricional investiga a complexidade da matriz alimentar e a composição química dos produtos.
Esse modelo de análise permite identificar como o consumo predominante de alimentos ultraprocessados altera de forma negativa o perfil nutricional global da dieta e eleva o risco de doenças crônicas não transmissíveis na população.
Nas análises laboratoriais de alimentos, a bomba calorimétrica auxilia a determinar o valor energético de amostras alimentares, o que representa o ponto de partida para pesquisadores.
Testes alimentares
Para a preparação e a homogeneização de amostras de alimentos antes dos testes são utilizados equipamentos como o Ultra Turrax por exemplo. A avaliação dessas propriedades estruturais e nutricionais fornece subsídios fundamentais para a formulação de políticas públicas de saúde e rotulagem nutricional no país.
Dessa forma, empresas que atuam no fornecimento de soluções para laboratórios e pesquisas relacionadas à análise de alimentos, como a Biovera, possibilitam investigações que traduzem dados laboratoriais em recomendações práticas de alimentação saudável.
“Estudos recentes apontam que o consumo frequente de ultraprocessados está ligado à perda de força muscular e ao maior risco de fragilidade”, aponta o reumatologista Rodrigo de Oliveira.
Segundo ele, no caso das articulações, o impacto também é relevante. “Pessoas que consomem mais ultraprocessados têm maior probabilidade de desenvolver artrite, especialmente artrite reumatoide, e apresentam pior evolução em casos de osteoartrite de joelho, condição que provoca dor, rigidez e limitação de movimento.”